Duas décadas dedicadas ao acolhimento, à escuta qualificada e à reconstrução de vidas marcaram a celebração dos 20 anos do Centro de Referência de Atendimento à Mulher Albertina Vasconcelos (CRAV), em Vitória da Conquista. A solenidade, realizada nesta terça-feira (28), reuniu autoridades municipais, representantes das forças de segurança, servidoras, usuárias do serviço e integrantes da rede de enfrentamento à violência contra a mulher, em um momento de reconhecimento da trajetória do equipamento, considerado uma das principais referências municipais na proteção e promoção dos direitos das mulheres em situação de violência.
A programação foi marcada por momentos de emoção, homenagens e reflexões sobre a importância da atuação integrada entre os diversos órgãos que compõem a rede de assistência. O evento contou com acolhimento musical, apresentação teatral preparada pelas próprias servidoras do CRAV e homenagens às profissionais e parceiros que contribuíram para consolidar a história do equipamento ao longo de seus 20 anos de funcionamento.
Entre as autoridades presentes estavam a prefeita Sheila Lemos, a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Viviane Ferreira, os secretários municipais Jackson Yoshiura, Rodrigo Bulhões, Romar Sousa Barros, Kalilly Lemos e Geane Oliveira, a subsecretária municipal de Educação, professora Selma Maria, a vereadora Gabriela Garrido, além de representantes da Guarda Civil Municipal, da Polícia Militar, da Ronda Maria da Penha e de diversas instituições parceiras da rede de proteção às mulheres.
Durante seu pronunciamento, a prefeita Sheila Lemos destacou que, embora o ideal seja uma sociedade livre da violência contra as mulheres, equipamentos como o CRAV permanecem essenciais para garantir acolhimento, segurança e dignidade às vítimas.
“É um serviço muito importante que hoje está comemorando 20 anos de existência e que nós estamos fortalecendo cada vez mais. Aqui as mulheres encontram acolhimento, escuta, apoio e cuidado. É um espaço onde elas se sentem protegidas. Nós gostaríamos que não houvesse necessidade de um serviço como esse, mas, enquanto existir violência, o poder público precisa oferecer políticas de acolhimento e proteção”, afirmou.
A gestora também lembrou dos investimentos recentes promovidos pela administração municipal na revitalização do espaço e anunciou que novos projetos de ampliação da estrutura já estão em planejamento, com o objetivo de oferecer ainda mais conforto tanto às servidoras quanto às mulheres atendidas.
Segundo Sheila Lemos, atualmente cerca de 200 mulheres permanecem referenciadas pelo equipamento, recebendo acompanhamento contínuo por meio de uma equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais, psicólogos e profissionais da área jurídica.
“Hoje temos cerca de 200 mulheres referenciadas no Albertina Vasconcelos e precisamos garantir um espaço cada vez mais acolhedor. Além do atendimento social, psicológico e jurídico, essas mulheres também têm acesso à qualificação profissional, para conquistarem autonomia financeira. Nosso compromisso é fortalecer essa rede de cuidado e fazer de Vitória da Conquista a melhor cidade para se nascer menina e crescer mulher”, ressaltou.
A secretária municipal de Políticas para Mulheres, Viviane Ferreira, enfatizou o impacto social construído pelo CRAV ao longo de duas décadas de atuação. De acordo com ela, somente nos últimos dez anos período correspondente à atual gestão da política municipal voltada às mulheres mais de 15 mil mulheres passaram pelo serviço em busca de apoio, acolhimento e orientação.
Atualmente, aproximadamente 200 continuam sendo acompanhadas pela equipe técnica do equipamento.
Viviane destacou que um dos maiores diferenciais do Centro está na construção de um atendimento individualizado, respeitando a realidade e as necessidades específicas de cada mulher.
“Cada mulher chega com uma história diferente. Aqui ela recebe atendimento social, psicológico e jurídico, além de ser encaminhada para cursos de capacitação e ações voltadas à autonomia econômica e financeira. Nosso objetivo é ajudá-la a reconstruir sua vida e a romper definitivamente o ciclo da violência”, afirmou.
Ela também ressaltou que a recente revitalização da estrutura representa mais um importante avanço na consolidação das políticas públicas destinadas às mulheres.
“Agora elas encontram um ambiente ainda mais acolhedor, confortável e humanizado. É um espaço preparado para que cada mulher se sinta em casa e seja atendida com respeito, compromisso e dignidade”, completou.
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi o depoimento da advogada Juciele Wolfrane, servidora mais antiga do CRAV e testemunha da evolução do equipamento ao longo de sua história.
Com palavras marcadas pela sensibilidade, ela relembrou sua trajetória profissional e o significado de acompanhar centenas de mulheres em seus processos de reconstrução pessoal.
“Celebrar 20 anos é olhar para um horizonte que plantamos juntas. Há duas décadas, o CRAV nascia como uma promessa de escuta, coragem e abrigo. Há pouco mais de 13 anos eu cruzei essa mesma porta e, com o passar do tempo, o destino me deu a honra de ser, hoje, a guardiã da memória mais antiga desta casa”, declarou.
Ela destacou ainda que sua permanência no serviço representa muito mais do que anos de dedicação profissional.
“Ser a funcionária mais antiga não é sobre o tempo que passou. É sobre as vidas que ficaram guardadas em mim. É lembrar de cada olhar que chegou fragmentado pelo medo e saiu daqui firme, consciente de sua própria dignidade.”
Ao completar duas décadas de funcionamento, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher Albertina Vasconcelos reafirma seu papel como um dos principais instrumentos de proteção social em Vitória da Conquista. Mais do que oferecer assistência técnica, o equipamento simboliza esperança, acolhimento e a possibilidade de recomeço para milhares de mulheres que encontraram no serviço apoio para romper o ciclo da violência, recuperar sua autonomia e reconstruir suas histórias com dignidade.

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