Os impactos dos fortes terremotos que devastaram a Venezuela continuam revelando a dimensão de uma das maiores tragédias naturais da história recente do país. O Ministério da Informação venezuelano divulgou neste domingo (5) um novo balanço oficial confirmando que o número de vítimas fatais chegou a 3.342 pessoas, enquanto mais de 16,7 mil moradores ficaram feridos em consequência dos dois violentos tremores registrados na manhã do último dia 24 de junho.
A atualização representa um crescimento significativo em relação ao levantamento anterior, divulgado no sábado (4), quando o governo havia contabilizado 2.954 mortes e 16.592 feridos. Em apenas 24 horas, o número oficial de óbitos aumentou em 388 vítimas, evidenciando que equipes de resgate continuam encontrando corpos sob os escombros e que muitos feridos seguem em estado grave nos hospitais do país.
As operações de busca permanecem mobilizando milhares de agentes de emergência, militares, bombeiros e voluntários em diversas regiões venezuelanas, onde cidades inteiras sofreram danos severos em razão da força dos abalos sísmicos.
Os terremotos ocorreram na manhã de 24 de junho, quando dois fortes tremores de magnitude 7,2 e 7,5 foram registrados com intervalo inferior a um minuto. A sequência dos abalos provocou o colapso de edifícios, destruiu residências, comprometeu estradas, pontes, redes elétricas e sistemas de abastecimento de água, deixando milhares de pessoas desabrigadas e ampliando a crise humanitária enfrentada pelo país.
De acordo com informações oficiais, 16.309 pessoas foram diretamente afetadas pelos terremotos, enquanto 83.793 famílias receberam assistência humanitária por meio da distribuição de alimentos, água potável, medicamentos, colchões, kits de higiene e atendimento médico emergencial.
O levantamento divulgado pelo governo também aponta que 856 edifícios sofreram danos estruturais, dos quais 190 desabaram completamente, aumentando os desafios das equipes de resgate que seguem trabalhando em condições extremamente difíceis para localizar possíveis sobreviventes.
Durante as comemorações do Dia da Independência da Venezuela, a presidente interina Delcy Rodríguez comentou a situação enfrentada pelo país e procurou afastar especulações sobre possíveis manifestações ou instabilidade social provocadas pela tragédia.
“Não haverá convulsão social, aqui o que existe é solidariedade social profunda do nosso povo”, afirmou a chefe do Executivo durante seu pronunciamento oficial, destacando que o governo continuará concentrando esforços nas ações de resgate, assistência às famílias atingidas e reconstrução das áreas devastadas.
Enquanto isso, equipes especializadas seguem realizando inspeções estruturais em prédios públicos, escolas, hospitais e residências para identificar riscos de novos desabamentos. Autoridades também mantêm o monitoramento da atividade sísmica nas regiões mais afetadas, diante da possibilidade de novos tremores secundários, comuns após terremotos de grande magnitude.
A comunidade internacional acompanha com preocupação o agravamento da situação humanitária na Venezuela. Diversos países e organizações internacionais manifestaram solidariedade ao povo venezuelano e colocaram à disposição equipes de apoio, ajuda financeira e envio de suprimentos para auxiliar nas operações de emergência e recuperação das áreas atingidas.
Especialistas alertam que a reconstrução poderá levar anos, diante da dimensão dos prejuízos materiais e humanos provocados pelo desastre, considerado um dos mais severos registrados no território venezuelano nas últimas décadas.
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