A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 sofreu um novo adiamento na Câmara dos Deputados após pedido de vista apresentado pelo deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) durante reunião da comissão especial realizada nesta segunda-feira (25). A medida interrompe temporariamente a análise do parecer e transfere a expectativa de retomada da votação para a próxima quarta-feira (27), em um debate que vem mobilizando parlamentares, representantes sindicais e setores empresariais em torno da reorganização da jornada de trabalho no país.
A proposta, considerada uma das discussões trabalhistas mais relevantes em andamento no Congresso Nacional, busca alterar o modelo tradicional da escala 6×1 no qual o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e descansa apenas um para uma configuração com redução da carga horária semanal. O texto apresentado pelo relator da matéria, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), estabelece a diminuição da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem qualquer redução salarial aos trabalhadores.
Durante a sessão, Léo Prates apresentou parecer favorável à proposta e defendeu que a mudança representa um avanço nas relações trabalhistas e na qualidade de vida da população economicamente ativa. O parlamentar também destacou que a implementação ocorrerá de forma gradual, com prazo de adaptação de até 14 meses após a promulgação da PEC, mecanismo que, segundo ele, busca permitir que empresas e empregadores possam reorganizar suas operações sem impactos abruptos.
O pedido de vista apresentado por Mauricio Marcon, instrumento regimental que concede mais tempo para análise da matéria, acabou adiando a deliberação em um momento de forte repercussão política e social. Nos bastidores da Câmara, a proposta já provoca divisão entre parlamentares ligados ao setor produtivo e deputados alinhados às pautas trabalhistas. Enquanto defensores da PEC argumentam que a redução da jornada pode contribuir para melhores condições de saúde física e mental dos trabalhadores, críticos afirmam que a medida pode elevar custos operacionais e gerar desafios principalmente para pequenos e médios empregadores.
A expectativa é de que o debate seja retomado com intensidade nos próximos dias. Caso o parecer seja aprovado pela comissão especial na quarta-feira, o texto poderá avançar rapidamente para apreciação no plenário da Câmara dos Deputados já na quinta-feira (28), em uma votação que promete forte mobilização política.
Nos corredores do Congresso, lideranças partidárias acompanham o tema com cautela diante da ampla repercussão pública da proposta. A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses nas redes sociais e em movimentos organizados de trabalhadores, especialmente em setores como comércio, serviços, supermercados e telemarketing, categorias historicamente submetidas a jornadas extensas e escalas consideradas desgastantes.
Especialistas em direito trabalhista avaliam que a eventual aprovação da PEC poderá representar uma das maiores mudanças estruturais nas relações de trabalho desde a Reforma Trabalhista de 2017. A redução da carga horária semanal, segundo estudiosos do tema, acompanha tendências já observadas em diferentes países que passaram a discutir modelos de produtividade associados a jornadas mais flexíveis e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Ao mesmo tempo, representantes do setor empresarial defendem que qualquer alteração na legislação trabalhista seja acompanhada de estudos de impacto econômico e mecanismos de compensação para determinados segmentos da economia. Entidades patronais alertam que mudanças bruscas podem afetar custos de contratação, produtividade e capacidade operacional de empresas que dependem de funcionamento contínuo.
Apesar das divergências, a pauta vem se consolidando como um dos temas centrais da agenda trabalhista no Legislativo em 2026. A expectativa em Brasília é de que a próxima reunião da comissão especial seja marcada por intensa articulação política, negociações de bastidores e tentativas de construção de consenso entre governo, oposição e representantes do setor produtivo.
Com a retomada prevista para quarta-feira, a PEC do fim da escala 6×1 entra em uma fase decisiva dentro da Câmara dos Deputados, podendo abrir caminho para uma transformação significativa na legislação trabalhista brasileira e no modelo de organização das jornadas de trabalho no país.





