O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e de Monique Medeiros teve início no começo da tarde desta segunda-feira (25), no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, em um dos processos criminais de maior repercussão do país nos últimos anos. Os dois respondem pela morte do menino Henry Borel, de apenas quatro anos, em um caso que mobilizou a opinião pública, provocou forte comoção nacional e reacendeu debates sobre violência infantil e responsabilidade familiar.
A abertura da sessão foi marcada por tensão, incertezas e reviravoltas jurídicas que colocaram em dúvida, até os últimos momentos da manhã, a realização do julgamento. O clima no fórum era de expectativa diante da possibilidade concreta de adiamento da sessão, especialmente após mudanças inesperadas na defesa do ex-parlamentar.
A instabilidade começou após o infarto sofrido pelo advogado Fabiano Lopes, um dos integrantes da equipe responsável pela defesa de Dr. Jairinho. Em razão do problema de saúde, o ex-vereador decidiu destituir toda a banca de advogados que o representava no processo de homicídio, o que gerou um impasse imediato sobre a continuidade do julgamento.
Diante da situação, a juíza Elisabeth Machado Louro chegou a sinalizar que poderia adiar a sessão, avaliando também um pedido do Ministério Público relacionado à transferência de Jairinho. A magistrada iniciou a leitura de sua decisão apontando para a possibilidade de suspensão do julgamento, em meio a um ambiente de apreensão dentro do plenário.
No entanto, em um movimento inesperado, Dr. Jairinho interrompeu a fala da juíza antes da conclusão da decisão e anunciou a reconstituição imediata de sua defesa. O ex-vereador informou que voltaria a ser representado por advogados já ligados ao caso, incluindo a banca do próprio filho, o advogado Luís Fernando Abidul. A decisão surpreendeu os presentes e alterou novamente os rumos da sessão, permitindo a continuidade do julgamento ainda nesta segunda-feira.
A retomada da defesa evitou um novo atraso em um processo que já se arrasta há anos e que permanece acompanhado de perto pela sociedade. Desde a morte de Henry Borel, em março de 2021, o caso ganhou enorme repercussão nacional diante das circunstâncias da investigação e das acusações apresentadas pelo Ministério Público.
Segundo as investigações, Henry teria sido vítima de sucessivas agressões dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o então padrasto, Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. O laudo pericial apontou múltiplas lesões no corpo da criança, indicando sinais compatíveis com violência contínua.
A acusação sustenta que o ex-vereador foi o responsável pelas agressões que levaram à morte do menino, enquanto Monique Medeiros teria conhecimento das violências sofridas pelo filho, além de omitir socorro e informações relevantes às autoridades. Ambos negam as acusações.
O julgamento deve reunir depoimentos, apresentação de provas, debates entre acusação e defesa, além da oitiva de testemunhas consideradas centrais para o desfecho do processo. A expectativa é de que a sessão se estenda por vários dias, diante da complexidade do caso e da quantidade de elementos reunidos ao longo da investigação.
Do lado de fora do tribunal, a movimentação também foi intensa. Jornalistas, curiosos e manifestantes acompanharam o início da sessão, muitos carregando cartazes pedindo justiça por Henry. O caso transformou o menino em símbolo de combate à violência contra crianças, impulsionando campanhas de conscientização e discussões sobre mecanismos de proteção infantil no Brasil.
A condução do julgamento pela juíza Elisabeth Machado Louro é vista como decisiva para garantir equilíbrio em um processo cercado por forte pressão pública e intensa cobertura da imprensa. A magistrada deverá administrar não apenas os aspectos técnicos do julgamento, mas também a elevada tensão emocional que envolve familiares, advogados e a sociedade.
Com o início efetivo do júri popular, o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro passa a concentrar novamente as atenções do país em torno de um caso que se tornou um dos episódios criminais mais emblemáticos e chocantes da história recente brasileira.





