O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ressaltou nesta quinta-feira (26) a importância da atuação integrada da instituição no combate ao feminicídio no Brasil. Em declaração à imprensa, ele enfatizou que a PF exerce um papel decisivo ao apoiar as forças estaduais com tecnologia, inteligência e expertise investigativa, fortalecendo a capacidade de prevenção e repressão a esse tipo de crime.
Segundo o dirigente, a cooperação com as polícias Civil e Militar é fundamental para ampliar a efetividade das ações. “A PF tem um papel de integração com as agências estaduais, especialmente no apoio tecnológico e no compartilhamento de conhecimento investigativo, para que as forças locais possam atuar de forma mais eficiente, sobretudo na prevenção”, afirmou.
Rodrigues destacou ainda que o enfrentamento ao feminicídio exige uma abordagem ampla e contínua, capaz de alcançar diferentes contextos e dinâmicas sociais. “Trata-se de um crime que precisa ser combatido em todos os seus vetores e vieses. Infelizmente, os números seguem em crescimento. Muitas ocorrências têm origem em relações íntimas e familiares, em vínculos afetivos que acabam descambando para essa barbárie: o assassinato de mulheres em razão do gênero”, pontuou.
Caso Marielle: fortalecimento institucional
Ao comentar a recente decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o diretor-geral da PF elogiou a atuação do Judiciário e afirmou que a condenação dos mandantes representa um marco para o Estado Democrático de Direito.
Na quarta-feira (25), foram condenados Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal. As penas somam 76 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, duplo homicídio e tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle, que sobreviveu ao atentado.
“É uma demonstração inequívoca de que as instituições do Estado são mais fortes do que o crime organizado. Quando elas funcionam de maneira coordenada e independente, os resultados aparecem”, avaliou Rodrigues.
Investigações sobre o Banco Master
Questionado sobre as apurações envolvendo o Banco Master, o diretor-geral da PF comentou a decisão que desobrigou o empresário Daniel Vorcaro de comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com Rodrigues, a não obrigatoriedade de comparecimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito é um direito assegurado aos investigados. “É entendimento pacífico na doutrina que o investigado pode se manter em silêncio durante eventual interrogatório. Como corolário desse direito, o comparecimento pode ser considerado desnecessário, uma vez que não produziria efeitos práticos em uma CPI”, explicou.
Para o diretor-geral, o respeito às garantias legais fortalece o sistema de Justiça e assegura que as investigações avancem dentro dos marcos constitucionais, preservando direitos individuais sem comprometer a apuração dos fatos.





