O pós-Carnaval do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), será marcado por uma série de reuniões estratégicas para destravar dois impasses centrais da política estadual: a definição do vice na chapa de reeleição ao Palácio dos Bandeirantes e o futuro político de Gilberto Kassab, atual secretário de Relações Institucionais. A movimentação ocorre em meio à intensificação das articulações nos bastidores, com pressões cruzadas de partidos, lideranças regionais e caciques nacionais.
Nos últimos dias, a corrida pela vaga de vice ganhou força e passou a concentrar atenções dentro e fora do governo. De acordo com aliados do governador, despontam como favoritos o atual vice, Felício Ramuth (PSD), e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL). A disputa revela não apenas preferências pessoais, mas também o peso das alianças partidárias na construção da chapa.
Ramuth é visto como o nome da confiança de Tarcísio, com quem mantém relação próxima desde o início da gestão. Já André do Prado aparece como alternativa robusta por reunir o apoio de prefeitos e deputados estaduais, além do endosso explícito do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, considerado padrinho político do parlamentar. O aval do PL, partido com forte capilaridade no interior paulista, tem sido apontado como fator decisivo por interlocutores do governo.
Paralelamente, Kassab também entrou no radar como potencial vice. A aliados, o dirigente do PSD tem reiterado o interesse em compor a chapa, mirando um projeto de longo prazo: ocupar o comando do Estado em 2030, cenário considerado plausível caso Tarcísio deixe o governo para uma eventual candidatura à Presidência da República. A leitura é de que a posição de vice pode servir como plataforma para consolidar influência e protagonismo político nos próximos anos.
Nesse contexto, Kassab e Ramuth devem se reunir após o Carnaval para alinhar estratégias. A proposta que circula entre próximos ao vice-governador é a de apresentar ao governador duas opções do PSD Kassab e Ramuth e deixar a decisão final nas mãos de Tarcísio. A depender do desfecho, aliados não descartam movimentos mais ousados: Ramuth avalia a possibilidade de trocar de partido para permanecer na chapa, com MDB e PL sendo citados como destinos potenciais.
Leituras distintas nos bastidores
Entre secretários e parlamentares governistas, há diferentes interpretações sobre o momento. Uma ala sustenta que a manutenção de Ramuth garantiria estabilidade administrativa e sinalizaria continuidade. Outra defende que a entrada de André do Prado fortaleceria a base legislativa e ampliaria a musculatura política da coligação. Já a hipótese Kassab é vista como um gesto de acomodação do PSD, partido-chave na governabilidade, mas que exigiria ajustes finos para evitar resistências internas.
No Palácio dos Bandeirantes, a avaliação é de cautela. Auxiliares lembram que a definição do vice precisa equilibrar lealdade política, viabilidade eleitoral e governabilidade futura. Com o calendário avançando e as pressões aumentando, a expectativa é de que as próximas semanas sejam decisivas para a costura final uma escolha que poderá redefinir o tabuleiro político paulista e influenciar os rumos nacionais do projeto de Tarcísio.





