O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli decidiu prorrogar por mais 60 dias o prazo da investigação que apura a atuação do Banco Master em um suposto esquema de organização criminosa, gestão fraudulenta e outros ilícitos financeiros. A apuração envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, familiares próximos e empresários ligados à instituição financeira.
A decisão do ministro atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que argumentou haver necessidade de aprofundar as investigações diante do surgimento de novos elementos e indícios de possíveis crimes ainda não totalmente esclarecidos. Segundo a PF, a complexidade do caso e o volume de material já coletado justificam a ampliação do prazo para a realização de novas diligências, análises técnicas e oitivas.
Em despacho, O ministro Dias Toffoli destacou que a prorrogação é essencial para garantir a completa elucidação dos fatos, respeitando o devido processo legal e assegurando que as apurações sejam conduzidas com rigor técnico. O ministro Dias Toffoli também ressaltou que a investigação apresenta ramificações que exigem exame minucioso de documentos financeiros, comunicações e movimentações patrimoniais.
A medida ocorre na esteira da operação deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (14), quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro e a pessoas de seu círculo familiar e empresarial. Durante a ação, foi decretada a prisão temporária de Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro, apontado pelos investigadores como peça relevante na estrutura investigada.
O material apreendido durante a operação inclui documentos físicos, dispositivos eletrônicos e registros financeiros que podem reforçar as suspeitas já levantadas ou revelar novos ilícitos. Todo o conteúdo será submetido a perícia técnica sob a supervisão da Procuradoria-Geral da República (PGR), conforme determinação expressa do ministro Dias Toffoli.
A análise do material contará com a atuação de quatro peritos da Polícia Federal, designados para examinar os dados de forma detalhada e produzir laudos que subsidiarão os próximos passos da investigação. A expectativa é que os resultados dessas perícias sejam fundamentais para definir eventuais responsabilidades e possíveis medidas judiciais futuras.
Em nota, investigadores afirmam que a prorrogação do inquérito não representa juízo de culpa, mas sim a necessidade de aprofundar apurações em um caso considerado sensível e de grande repercussão no sistema financeiro. Já interlocutores próximos à defesa sustentam que os investigados confiam no esclarecimento dos fatos e na legalidade de suas condutas.
Com a extensão do prazo, a Polícia Federal ganha fôlego para avançar nas apurações, enquanto o STF acompanha de perto o andamento do caso, que segue sob sigilo parcial. O desdobramento da investigação poderá ter impactos relevantes no setor bancário e no ambiente regulatório, a depender das conclusões a serem alcançadas nos próximos meses.





