O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina destinada à prevenção do herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) e tem como base avaliações técnicas e econômicas realizadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
O herpes-zóster é uma doença provocada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo agente responsável pela catapora. Após a infecção inicial, geralmente ainda na infância, o vírus permanece latente no organismo por décadas e pode ser reativado em determinadas circunstâncias, especialmente com o avanço da idade ou em situações de comprometimento do sistema imunológico. Essa reativação dá origem ao herpes-zóster, condição popularmente conhecida como “cobreiro”.
De acordo com o relatório técnico divulgado pela Conitec, a vacina recombinante adjuvada, apesar de apresentar eficácia comprovada, foi considerada de alto custo frente ao impacto esperado na redução dos casos da doença em âmbito nacional. A avaliação levou em conta critérios como custo-benefício, impacto orçamentário e alternativas já disponíveis no SUS para o manejo da enfermidade.
Sintomas e evolução da doença
Os primeiros sinais do herpes-zóster costumam incluir sensações de queimação, coceira intensa e aumento da sensibilidade da pele, frequentemente acompanhados de febre baixa, mal-estar e cansaço. Em um intervalo de um a dois dias, surgem manchas avermelhadas que evoluem para pequenas bolhas cheias de líquido. Com o passar do tempo, essas lesões secam e formam crostas.
Uma característica marcante da doença é o surgimento das lesões em apenas um lado do corpo, seguindo o trajeto de um nervo afetado pelo vírus. As regiões mais atingidas são o tronco, o rosto, a lombar e o pescoço. Em geral, o ciclo completo da doença dura de duas a três semanas, podendo se prolongar em casos mais graves.
Público-alvo da vacina
A vacina avaliada pelo Ministério da Saúde é indicada, segundo fabricantes e estudos clínicos, para idosos com idade igual ou superior a 80 anos e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Apesar disso, a Conitec concluiu que a incorporação do imunizante não seria viável no momento, considerando as limitações orçamentárias e o impacto relativamente restrito frente à população geral.
Possíveis complicações
Embora o herpes-zóster possa evoluir para a cura espontânea, especialistas alertam que a doença não deve ser subestimada. Em determinadas situações, especialmente entre idosos e pessoas com baixa imunidade, podem ocorrer complicações graves. Entre elas estão infecções secundárias na pele, comprometimentos neurológicos, dores persistentes (neuralgia pós-herpética), além de danos aos olhos e aos ouvidos, que podem resultar em perda visual ou auditiva.
Tratamento oferecido pelo SUS
No âmbito do SUS, o tratamento do herpes-zóster varia conforme a gravidade do quadro clínico. Nos casos considerados leves, sem risco de agravamento, são ofertados medicamentos para alívio da dor, controle da febre e redução da coceira, além de orientações sobre higiene adequada e cuidados com a pele.
Já em situações de maior risco como em idosos, pacientes imunocomprometidos ou em quadros mais severos é recomendado o uso do antiviral aciclovir, disponível na rede pública de saúde, com o objetivo de reduzir a duração dos sintomas e prevenir complicações.
Números da doença no Brasil
Dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS) e Hospitalares (SIH/SUS) revelam que, entre 2008 e 2024, o Brasil registrou 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações relacionadas ao herpes-zóster. Os números evidenciam o impacto da doença sobre o sistema público de saúde, especialmente entre a população mais envelhecida.
Já informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/SUS) apontam que, entre 2007 e 2023, foram registrados 1.567 óbitos causados pelo herpes-zóster no país. Isso corresponde a uma taxa de mortalidade de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes no período analisado. Do total de mortes, cerca de 90% ocorreram em pessoas com idade igual ou superior a 50 anos, sendo que 53,4% das vítimas tinham mais de 80 anos.
Debate segue em pauta
A decisão de não incorporar a vacina ao SUS deve continuar gerando debates entre especialistas, gestores públicos e entidades da área da saúde, sobretudo diante do envelhecimento acelerado da população brasileira. Enquanto isso, o Ministério da Saúde reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e do tratamento adequado como principais estratégias para reduzir os impactos do herpes-zóster no país.





