O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), já tem data definida para deixar oficialmente o comando do Palácio Tiradentes. A renúncia está marcada para o dia 22 de março, um domingo, cerca de duas semanas antes do prazo final de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para candidatos que pretendem disputar as eleições de outubro. A decisão consolida o movimento de Zema como pré-candidato à Presidência da República e sinaliza uma mudança definitiva de foco da política estadual para o cenário nacional.
A saída antecipada do cargo não é apenas um gesto administrativo, mas parte de uma estratégia cuidadosamente desenhada por seu grupo político. O objetivo é permitir que Zema tenha agenda livre para percorrer diferentes regiões do país, ampliando sua visibilidade nacional e apresentando sua plataforma política a eleitores fora de Minas Gerais um desafio histórico para governadores que tentam alçar voos presidenciais.
Nos bastidores, aliados avaliam que o governador precisa se tornar mais conhecido especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, regiões onde sua gestão ainda é pouco associada a resultados concretos. A renúncia, portanto, abre espaço para uma fase mais intensa de articulação política, encontros partidários e participação em eventos empresariais e eleitorais.
Antes de deixar o cargo, Zema deve participar de um evento de despedida da gestão, no qual será formalizada a transmissão do governo ao vice-governador Mateus Simões (PSD). Simões, que assume definitivamente o Executivo mineiro, é apontado como o principal nome do grupo político para a sucessão estadual e já se coloca como pré-candidato ao governo de Minas, buscando dar continuidade ao projeto administrativo iniciado em 2019.
A expectativa é que, ao assumir o cargo, Mateus Simões mantenha as diretrizes econômicas e fiscais que marcaram a gestão Zema, como o discurso de austeridade, defesa da responsabilidade fiscal e aproximação com o setor produtivo. A sucessão, portanto, tende a ocorrer sem sobressaltos internos, reforçando a imagem de unidade do grupo político.
Apesar de ser constantemente citado como opção para compor uma chapa presidencial como vice, especialmente no campo da direita, Romeu Zema tem sido categórico ao descartar essa possibilidade. O governador negou publicamente qualquer chance de ocupar a vaga de vice do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou de outro presidenciável do mesmo espectro político.
Em tom firme, Zema reiterou que sua decisão está tomada e que não trabalha com planos alternativos.
“Eu sou pré-candidato à Presidência, como já aconteceu o lançamento no ano passado, continuo com a pré-candidatura e irei até o final”, afirmou o governador ao falar com jornalistas, reforçando que sua intenção é disputar a eleição como cabeça de chapa.
A postura evidencia o esforço de Zema para se apresentar como uma candidatura própria, independente e com identidade política própria, ainda que dialogue com setores conservadores e liberais. Ao rejeitar o papel de coadjuvante, o governador busca consolidar seu nome como uma alternativa dentro da direita, especialmente entre eleitores que defendem um discurso liberal na economia e crítico ao modelo tradicional de gestão pública.
Com a renúncia marcada e o início de uma nova fase política, Romeu Zema passa a concentrar todas as suas forças na construção de um projeto nacional. O sucesso dessa empreitada dependerá, sobretudo, de sua capacidade de extrapolar os limites de Minas Gerais e transformar sua experiência administrativa em um discurso capaz de dialogar com o Brasil como um todo.





