Em Vitória da Conquista, o cenário político começa a revelar uma realidade preocupante: a banalização do debate público e o uso de ferramentas de comunicação sem o devido compromisso com a seriedade e a ética. Em uma cidade que ocupa a posição de terceira maior da Bahia, com relevância econômica, social e eleitoral incontestável, episódios recentes levantam questionamentos sobre os rumos que parte da disputa política tem tomado antes mesmo do início oficial da campanha.
Chamou a atenção, a divulgação de uma suposta enquetes de intenção de votos realizada por um blog local que afirma ter mais de 50 mil seguidores. O levantamento, segundo a própria publicação, contou com apenas 518 respostas, número considerado extremamente baixo diante do universo de eleitores do município e apontava vantagem expressiva para um pré-candidato específico. Para agravar ainda mais as dúvidas, o conteúdo foi posteriormente retirado do site, sem explicações claras ao público, o que alimentou críticas e suspeitas sobre a credibilidade do material divulgado.
Especialistas política destacam que enquetes , quando feitas sem critérios técnicos, metodologia transparente e amostragem representativa, não apenas induzem o eleitor ao erro, como também empobrecem o debate democrático. Nesse contexto, surge a pergunta inevitável: onde fica o senso crítico? O engajamento nas redes sociais, por si só, pode se sobrepor à responsabilidade com a informação?
O episódio ganha contornos ainda mais delicados ao tentar desmerecer figuras públicas que possuem mandato e histórico de atuação reconhecida. Deputados e pré -candidatos que vêm desempenhando seus papéis com seriedade, responsabilidade e trabalho efetivo em favor da população acabam sendo colocados sob suspeita por narrativas frágeis, baseadas mais em conveniência política do que em fatos concretos.
Vitória da Conquista não é um colégio eleitoral pequeno nem um espaço para experiências improvisadas. A população, que acompanha atentamente o cenário político e sente diariamente os impactos das decisões públicas, merece respeito, transparência e debates qualificados. A antecipação de disputas, por meio de pesquisas questionáveis e estratégias de desgaste precoce, contribui pouco para o fortalecimento da democracia local.
Por trás de qualquer pré-candidato existe um conjunto de pessoas: assessores, lideranças comunitárias, coordenadores políticos e militantes que trabalham com seriedade para construir projetos, dialogar com a sociedade e fortalecer a política no município. Reduzir esse esforço coletivo a números frágeis ou a publicações oportunistas é ignorar o trabalho de base e o compromisso de quem atua de forma responsável.
À medida que o processo eleitoral se aproxima, cresce a expectativa de que o debate político em Vitória da Conquista amadureça, priorizando propostas, trajetórias e resultados concretos. Mais do que link, curtidas ou enquetes improvisadas, o momento exige compromisso com a verdade e respeito ao eleitor conquistense. Afinal, a política não pode e não deve ser tratada como brincadeira.





