A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (13 de janeiro), a nona fase da Operação Overclean, com foco na desarticulação de uma organização criminosa suspeita de operar um amplo esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. As investigações apontam indícios de práticas reiteradas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes na destinação de verbas federais.
Nesta etapa da operação, agentes federais cumprem nove mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em diferentes localidades do país. As diligências ocorrem em municípios da Bahia, Salvador, Mata de São João e Vera Cruz, além do Distrito Federal. Entre os alvos da ação está o deputado federal Félix Mendonça (PDT-BA), citado nas apurações como um dos investigados por possível envolvimento no esquema.
De acordo com a Polícia Federal, a organização criminosa teria estruturado um complexo mecanismo para direcionar recursos públicos a empresas e pessoas ligadas ao grupo, utilizando contratos e repasses suspeitos como forma de ocultar a origem ilícita dos valores. As investigações indicam que parte do dinheiro teria sido pulverizada em contas bancárias de terceiros, estratégia comum para dificultar o rastreamento financeiro e a atuação dos órgãos de controle.
Como medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 24 milhões em contas bancárias pertencentes a pessoas físicas e jurídicas investigadas. A decisão visa interromper a movimentação de valores supostamente ilícitos e garantir a preservação de ativos para eventual ressarcimento aos cofres públicos, caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do processo.
A Operação Overclean está em andamento desde fases anteriores e, segundo a PF, a nova etapa representa um avanço significativo na coleta de provas e no aprofundamento das linhas investigativas. Documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais apreendidos serão analisados para reforçar o conjunto probatório e esclarecer o grau de participação de cada investigado.
Em nota, a Polícia Federal reforçou que as investigações seguem sob sigilo judicial e que todos os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa. A operação evidencia, mais uma vez, o papel das instituições no combate à corrupção e na fiscalização do uso de recursos públicos, especialmente aqueles destinados por meio de emendas parlamentares, instrumento fundamental para o financiamento de políticas públicas em estados e municípios.





