Na tentativa de intensificar a pressão econômica sobre o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre o comércio com qualquer país que mantenha relações comerciais com a nação persa. A medida, de caráter imediato, amplia o cerco econômico liderado por Washington contra Teerã e levanta preocupações em parceiros comerciais do Irã, entre eles o Brasil.
De acordo com comunicado divulgado por Trump em sua rede social, a Truth Social, a decisão não admite exceções. “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã será taxado em 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos”, declarou o presidente norte-americano. Em tom enfático, Trump reforçou que “a ordem é final e irrecorrível”, sem detalhar critérios técnicos ou mecanismos de aplicação da nova tarifa.
A medida se soma a uma série de sanções econômicas adotadas pelos Estados Unidos nos últimos anos contra o governo iraniano, especialmente nos setores de energia, finanças e comércio exterior. Analistas internacionais avaliam que a nova tarifa representa uma escalada na política de isolamento econômico do Irã e pode provocar efeitos colaterais relevantes no comércio global.
No caso brasileiro, o anúncio acendeu um sinal de alerta. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 2,9 bilhões em produtos para o Irã, consolidando o país como um importante parceiro comercial da nação persa na América Latina. Entre os principais itens exportados estão produtos do agronegócio, como milho, soja e carnes, segmentos estratégicos para a balança comercial brasileira.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que, no último ano, as importações iranianas alcançaram o volume de US$ 84,594 bilhões, evidenciando o peso do Irã no comércio internacional, apesar das sanções impostas por potências ocidentais.
Especialistas em comércio exterior alertam que a eventual aplicação da tarifa pode colocar o Brasil diante de um dilema diplomático e econômico: manter relações comerciais com o Irã ou preservar o acesso competitivo ao mercado norte-americano, um dos principais destinos das exportações brasileiras.
O anúncio de Trump ocorre em um contexto de crescente instabilidade geopolítica, marcado por pressões internas e externas sobre o governo iraniano, além do endurecimento do discurso dos Estados Unidos em ano de forte polarização política. Até o momento, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre a medida, mas o tema deve entrar na pauta das próximas discussões diplomáticas e comerciais.
Enquanto isso, o mercado acompanha com cautela os desdobramentos da decisão, que pode redefinir fluxos comerciais e ampliar tensões nas relações internacionais nos próximos meses.





