Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram, sob reserva, que a mensagem oficial confirmando a indicação de Jorge Messias, atual ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser encaminhada ao Senado Federal em fevereiro, logo após o fim do recesso parlamentar. A retomada dos trabalhos no Congresso está prevista para o dia 2 de fevereiro, data considerada estratégica pelo Palácio do Planalto para dar andamento ao processo.
O envio da mensagem presidencial é uma etapa formal indispensável para que o Senado inicie a análise da indicação. A partir dessa comunicação, caberá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) agendar a sabatina do indicado, momento em que Jorge Messias será questionado pelos senadores sobre sua trajetória, visão jurídica e posicionamentos institucionais. Até o momento, não há uma data definida para essa sabatina, tampouco previsão para a votação em plenário.
Jorge Messias foi anunciado por Lula como indicado ao STF ainda em novembro, decisão que repercutiu fortemente nos bastidores políticos e gerou desgaste na relação entre o Executivo e o Senado. O principal foco de tensão foi o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que defendia outro nome para a vaga: o do então senador e ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A divergência provocou ruídos institucionais e alimentou especulações sobre possíveis entraves à tramitação da indicação.
Apesar do clima de desconforto inicial, interlocutores do governo avaliam que o cenário se tornou mais favorável nas últimas semanas. Um encontro entre o presidente Lula e Davi Alcolumbre, realizado às vésperas do Natal, teria contribuído para reduzir as tensões e restabelecer o diálogo entre os Poderes. Segundo aliados, a reunião simbolizou uma “pacificação” política, abrindo caminho para que a indicação de Messias avance sem maiores resistências.
Considerado um dos homens de confiança do presidente, Jorge Messias tem trajetória consolidada no meio jurídico e ocupa a chefia da AGU desde o início do atual mandato. Sua eventual chegada ao STF reforçaria a presença de nomes alinhados ao projeto político de Lula na Corte, o que aumenta a relevância e a atenção em torno do processo de sabatina.
Nos bastidores do Congresso, a expectativa é de que, uma vez formalizada a indicação, o Senado conduza a análise dentro do rito tradicional, embora o calendário dependa de articulações políticas e do grau de consenso entre os parlamentares. Até lá, o governo trabalha para consolidar apoios e evitar novos impasses que possam atrasar a confirmação do nome escolhido para a Suprema Corte.





