Com a aproximação das eleições gerais de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para promover uma das maiores reformulações do primeiro escalão desde o início do terceiro mandato. A expectativa, segundo integrantes do Palácio do Planalto, é que mais de 20 ministros deixem seus cargos nos próximos meses para disputar eleições nos estados, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
A movimentação faz parte de uma estratégia política mais ampla que visa fortalecer a presença da base governista no próximo ciclo eleitoral. Em grande parte dos casos, a tendência é que os ministérios passem a ser comandados interinamente pelos atuais secretários-executivos, garantindo a continuidade administrativa enquanto os titulares se dedicam às campanhas.
As mudanças devem ocorrer de forma escalonada e se consolidar em um prazo máximo de até três meses. Conforme estabelece a legislação eleitoral, agentes públicos que desejam concorrer a cargos diferentes daqueles que ocupam atualmente precisam se afastar das funções até seis meses antes do pleito. Para as eleições de 2026, o prazo final para a desincompatibilização se encerra em 4 de abril.
Nos bastidores, interlocutores do governo afirmam que a reforma ministerial não se limita apenas ao cumprimento de exigências legais. O objetivo central do Planalto é, além de viabilizar a reeleição de Lula, ampliar a base eleitoral e política do governo, especialmente no Congresso Nacional. A avaliação interna é que o Executivo ainda enfrenta dificuldades para consolidar maioria estável tanto na Câmara quanto no Senado, em um cenário que permanece desafiador para os partidos de esquerda.
A aposta do governo é lançar candidaturas competitivas de ministros em estados estratégicos, fortalecendo palanques regionais e ampliando o apoio parlamentar no próximo mandato. A leitura no núcleo político é de que um Congresso mais alinhado pode facilitar a tramitação de projetos prioritários e reduzir desgastes nas negociações legislativas.
Durante a última reunião ministerial do ano, realizada em dezembro, Lula foi direto ao se dirigir aos auxiliares que pretendem disputar cargos eletivos. Conforme relataram participantes do encontro, o presidente afirmou que espera que seus ministros “ganhem o cargo que vão disputar”, reforçando a necessidade de campanhas consistentes e bem-sucedidas.
Ainda segundo assessores, a orientação presidencial foi interpretada como um incentivo claro para que os futuros candidatos entrem na disputa com protagonismo e compromisso político. A reforma ministerial, nesse contexto, surge não apenas como uma exigência eleitoral, mas como uma peça-chave na estratégia do governo para 2026.





