Com o objetivo de ampliar a visibilidade das ações de prevenção, fortalecer o diagnóstico precoce e enfrentar o estigma ainda associado à hanseníase, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), promove, entre os dias 7 de janeiro e 28 de fevereiro, a campanha “Janeiro Roxo”. A iniciativa integra o calendário de saúde pública e destaca a importância da identificação oportuna da doença e do início imediato do tratamento, medidas essenciais para interromper a cadeia de transmissão.
Dados dos últimos cinco anos acendem um alerta no município: 138 casos de hanseníase foram diagnosticados, sendo que cerca de 50% dos pacientes já apresentavam algum grau de incapacidade física no momento da confirmação. O cenário evidencia a fragilidade da suspeição clínica nos estágios iniciais da doença e reforça a necessidade de ampliar a informação junto à população e aos profissionais de saúde.
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Apesar de ainda cercada por desinformação e preconceito, trata-se de uma enfermidade com controle e cura, cujo tratamento é integralmente oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quando não diagnosticada precocemente, pode evoluir para deficiências físicas permanentes, sobretudo de ordem neurológica e motora, além de provocar impactos sociais significativos, como exclusão e discriminação.
Ações educativas e mobilização da rede de saúde
A programação do Janeiro Roxo contempla uma série de atividades educativas e informativas, com foco na participação popular e na qualificação da rede assistencial. Entre as ações previstas estão abordagens educativas nas salas de espera do Centro Municipal de Pneumologia e Dermatologia Sanitária e das Unidades Básicas de Saúde, rodas de conversa com profissionais das unidades hospitalares, da UPA, das unidades prisionais e da equipe do Consultório na Rua, além de formações educativas voltadas a trabalhadores da Atenção Primária à Saúde e especialistas em Dermatologia, tanto da rede pública quanto privada.
Em Vitória da Conquista, o atendimento especializado às pessoas com hanseníase é realizado no Centro Municipal de Pneumologia e Dermatologia Sanitária, serviço de referência que conta com equipe multiprofissional formada por dermatologista, fisioterapeuta, enfermeiros, farmacêutico e assistente social. O Centro funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 12h, e está localizado na Praça João Gonçalves, s/n – Centro (ao lado do CAAV).
Cronograma de atividades do Janeiro Roxo
- 07 a 09/01; 12 a 16/01; 19 a 23/01; 26 a 30/01
Ações educativas em sala de espera no Centro Municipal de Pneumologia e Dermatologia Sanitária. - 14/01/2026
Promoção de saúde voltada a pacientes em tratamento e familiares convidados, no Centro Municipal de Pneumologia e Dermatologia Sanitária. - 12, 13, 19 e 20/01/2026
Atividades em sala de espera nas unidades de horário estendido: Régis Pacheco e Admário Silva. - 19 a 23/01 e 26 a 30/01
Orientações e distribuição de material informativo sobre hanseníase nas Unidades Básicas de Saúde da zona urbana. - 25/01/2026
Ação educativa com orientações e panfletagem na Feira do bairro Brasil, das 9h às 11h.
Sinais e sintomas mais comuns da hanseníase
- Manchas na pele de coloração branca, avermelhada ou amarronzada, com perda ou alteração da sensibilidade ao calor, frio, dor ou toque.
- Espessamento de nervos periféricos, podendo causar alterações motoras e autonômicas.
- Áreas do corpo com redução de pelos e diminuição do suor.
- Formigamentos, fisgadas e perda de força muscular, especialmente em mãos, pés e membros.
- Presença de nódulos dolorosos em fases mais avançadas da doença.
A transmissão ocorre, principalmente, pelas vias aéreas superiores por meio de tosse, espirro ou fala após contato prolongado com pessoas não tratadas na forma contagiosa (multibacilar). É fundamental ressaltar que após o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença, podendo e devendo manter sua convivência familiar e social normalmente.
O diagnóstico é clínico, realizado por meio de avaliação dermatológica e neurológica. O SUS disponibiliza tratamento gratuito com poliquimioterapia, que inclui rifampicina, dapsona e clofazimina, com duração de seis a doze meses, conforme a forma clínica. A interrupção da transmissão ocorre nos primeiros dias após o início do tratamento, reforçando a importância da detecção precoce.
Com o Janeiro Roxo, a Secretaria Municipal de Saúde reafirma o compromisso com a informação, o cuidado integral e o enfrentamento da hanseníase, destacando que conhecimento, diagnóstico precoce e tratamento adequado são as principais ferramentas para vencer a doença e o preconceito.





