Enquanto a audição humana consegue distinguir sons com frequência de até 20 mil hertz (Hz), a capacidade auditiva dos animais domésticos é muito mais apurada. Os cães conseguem captar ruídos de até 40 mil Hz, enquanto os gatos alcançam cerca de 65 mil Hz mais que o triplo do limite humano. Essa diferença torna os fogos de artifício, comuns nas comemorações de fim de ano, um fator de alto risco para a saúde física e emocional dos animais. O alerta é do presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves.
De acordo com o dirigente, o som intenso, repentino e imprevisível das explosões provoca um estresse severo em cães e gatos, que não conseguem compreender a origem do barulho nem antecipar quando ele vai cessar. “Para os animais, os fogos não representam celebração, mas sim uma ameaça iminente. O impacto é direto no sistema nervoso”, explica.
Preparação dos tutores é fundamental
Diante desse cenário, o CRMV-RJ recomenda que os responsáveis pelos animais se preparem com antecedência para reduzir os danos causados pelo barulho. Entre as orientações estão a criação de ambientes mais seguros dentro de casa, como a escolha de cômodos fechados, com portas e janelas vedadas, cortinas fechadas e, quando possível, improvisação de isolamento acústico com cobertores, almofadas ou tapetes.
Outra estratégia indicada é manter sons contínuos no ambiente, como televisão ligada ou música em volume moderado. Esses ruídos constantes ajudam a mascarar os estampidos externos, funcionando como uma barreira sonora e proporcionando maior sensação de segurança ao animal.
“É importante que o tutor esteja presente, mantendo uma postura tranquila. O comportamento humano influencia diretamente a reação do animal”, ressalta Diogo Alves.
Reações comportamentais e acidentes
A sensibilidade auditiva elevada faz com que o barulho dos fogos desencadeia reações intensas. Entre os sinais mais comuns estão pânico, tremores, latidos ou miados excessivos, salivação intensa e tentativas desesperadas de fuga. Em situações mais graves, podem ocorrer episódios de automutilação.
O risco de acidentes também aumenta significativamente nesse período. Assustados, muitos animais tentam escapar pulando janelas, muros ou sacadas, o que pode resultar em fraturas, ferimentos graves e até morte. Há ainda casos frequentes de fuga para as ruas, onde os animais ficam expostos a atropelamentos e desaparecimentos.
Impactos na saúde vão além do comportamento
Segundo o presidente do CRMV-RJ, os efeitos do estresse causado pelas explosões sonoras não se limitam ao comportamento. “Os fogos provocam alterações fisiológicas importantes. Observamos aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial, desorientação e, em alguns casos, crises convulsivas”, afirma.
Animais idosos, filhotes ou aqueles que já possuem doenças cardíacas, neurológicas ou metabólicas são ainda mais vulneráveis. Em situações extremas, o estresse intenso pode levar ao óbito, especialmente quando não há intervenção adequada.
Conscientização e alternativas
O CRMV-RJ reforça a necessidade de conscientização da sociedade sobre os impactos dos fogos de artifício nos animais. A entidade defende o uso de alternativas mais silenciosas, como fogos sem estampido, luzes decorativas e outras formas de celebração que não causem sofrimento.
“Celebrar datas especiais não precisa significar dor e risco para os animais. É possível comemorar com responsabilidade e empatia”, conclui Diogo Alves.
A orientação final é que, diante de sinais intensos de medo ou alterações clínicas, os tutores procurem um médico-veterinário. A prevenção e a informação, segundo os especialistas, são as principais ferramentas para garantir a segurança e o bem-estar dos animais durante as festas de fim de ano.





