A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou neste domingo (6) que o enfrentamento da crise climática exige planejamento estratégico e responsabilidade na condução da transição energética. A declaração foi feita durante entrevista concedida no âmbito da Cúpula do Brics, que acontece entre os dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro, sob a presidência do Brasil, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva.
Questionada sobre os investimentos do governo federal e da Petrobras na exploração de combustíveis fósseis, como o projeto de exploração de petróleo na Margem Equatorial do Brasil, a ministra reconheceu as tensões existentes entre a agenda ambiental e as demandas econômicas. “As contradições existem no mundo inteiro, não só no Brasil”, disse Marina. Ela reforçou que, apesar dos desafios, o país precisa avançar com uma política climática consistente e integrada às necessidades de desenvolvimento sustentável.
A Margem Equatorial é uma extensa faixa marítima que se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá, abrangendo a região onde o Rio Amazonas deságua no Oceano Atlântico. A exploração de petróleo nessa área tem gerado críticas de ambientalistas e especialistas, que alertam para os riscos aos ecossistemas marinhos e à biodiversidade amazônica.
Marina Silva destacou que o governo tem buscado equilibrar os interesses econômicos com a preservação ambiental. Ela lembrou que o Brasil possui compromissos internacionais assumidos no Acordo de Paris e reforçou a importância de o país liderar pelo exemplo em temas como descarbonização, energia renovável e proteção de biomas.
A participação da ministra na Cúpula do Brics ocorre em um momento em que o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países recentemente incorporados discute alternativas de cooperação em áreas estratégicas, incluindo meio ambiente, segurança alimentar e transição energética.
“Não se trata de negar as realidades econômicas, mas de construir caminhos que levem ao desenvolvimento com justiça climática e social”, concluiu a ministra.