Representantes sindicais de diversas categorias da saúde pública do Distrito Federal decidiram cruzar os braços na próxima segunda-feira (6), em um movimento que promete impactar o atendimento em hospitais e unidades básicas de saúde. A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite desta quarta-feira (1º), na sede da Associação dos Especialistas em Saúde Pública do DF (AES-DF), localizada na Asa Norte.
A mobilização reúne profissionais de áreas estratégicas como farmácia, biomedicina e psicologia ou, como preferem destacar alguns representantes, além de outras categorias que compõem a linha de frente do sistema público. O movimento conta com o apoio direto da AES-DF e tem como principal bandeira a valorização salarial e a reestruturação das carreiras.
Segundo a organização do ato, a expectativa é que mais de 3 mil servidores participem da manifestação em frente ao Palácio do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal (GDF), a partir das 9h. enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e odontólogos, ampliando o alcance da mobilização e reforçando o caráter coletivo da reivindicação.
A paralisação, embora pontual, deve provocar reflexos diretos no atendimento à população. Serviços considerados não emergenciais poderão sofrer atrasos ou suspensão temporária, enquanto as equipes buscam chamar atenção para uma pauta que, segundo os sindicatos, se arrasta há mais de uma década.
De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do DF (Sindifar-DF), João Eudes Filho, a principal queixa gira em torno da defasagem salarial enfrentada por algumas categorias. “A luta pela isonomia existe desde 2013. Há carreiras que acumulam perdas significativas e hoje figuram entre os piores salários do país”, afirma.
Ele ressalta que o movimento não tem, ao menos neste momento, caráter de greve prolongada, mas sim de alerta. “Nosso objetivo é abrir diálogo. Queremos ser recebidos, ser ouvidos como reforçamos, pelo governo na segunda-feira”, pontua.
A estratégia dos profissionais passa por uma tentativa de negociação direta com o Executivo local. Caso não haja avanço nas tratativas, a possibilidade de novas paralisações ou até medidas mais contundentes não está descartada. Cada categoria deverá se reunir com seus respectivos sindicatos para definir os próximos passos.
No campo político, o movimento conta com a intermediação do deputado distrital Jorge Vianna (Democrata), que vem atuando como ponte entre os trabalhadores e o Legislativo. Há também a previsão de uma reunião com o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Wellington Luiz (MDB), ainda na segunda-feira.
A mobilização desta semana evidencia o crescente descontentamento entre os profissionais da saúde pública do DF e reacende o debate sobre investimento, reconhecimento e condições de trabalho no setor, temas que, para os manifestantes, já não podem mais ser adiados.





