A movimentação política nos bastidores da Prefeitura de São Paulo ganhou novos contornos nesta quarta-feira, primeiro de abril, o popular “Dia da Mentira”, mas, neste caso, com decisões bem reais e de grande impacto administrativo e eleitoral. O Diário Oficial da cidade trouxe a público uma série de exonerações estratégicas: ao todo, seis secretários deixaram seus cargos com um objetivo claro entrar na disputa eleitoral de outubro.
A medida segue o que determina a legislação eleitoral brasileira, que estabelece o afastamento obrigatório de ocupantes de cargos com poder de decisão como secretários municipais até seis meses antes do pleito. A regra busca garantir equilíbrio na disputa, evitando o uso da máquina pública em benefício de candidaturas.
Na chamada “dança das cadeiras” ou melhor, no rearranjo político-administrativo nomes conhecidos da gestão municipal dão lugar a novos e também experientes quadros. Na Casa Civil, Enrico Misasi se despede do cargo, abrindo espaço para o vereador Paulo Frange, do MDB, figura já consolidada no cenário político paulistano.
Já na Segurança Urbana, a mudança chama atenção não apenas pela troca, mas pelo histórico da nova titular. Sai Orlando Morando, entra a delegada Juliana Bussacos nome que ganhou projeção nacional em dois mil e dezenove (2019), ao conduzir a investigação envolvendo a modelo Najila Trindade e o jogador Neymar, caso que repercutiu amplamente na mídia.
Na Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi deixa o posto, passando o comando para Wanderlei de Abreu Soares Júnior, que já atuava como secretário-adjunto da pasta. A escolha sinaliza uma tentativa de manter a continuidade administrativa ou, como se diz nos bastidores, “trocar sem mudar demais”.
A área de Habitação também passa por mudança: Sidney Cruz sai, e quem assume é Diogo Soares, atual presidente da Cohab, trazendo consigo a experiência acumulada na gestão habitacional da cidade.
No esporte ou melhor, no Esporte e Lazer a troca vem com um toque de representatividade. Sai Rogério Lins e entra Erika Coimbra, ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei e, até então, diretora do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, o COTP. Uma escolha que reforça a presença de nomes do esporte na gestão pública.
A Secretaria de Turismo também entra no pacote de mudanças. Rui Alves deixa o cargo, sendo substituído pelo advogado Gustavo Lopes de Souza, em uma indicação que sugere um perfil mais técnico para a pasta.
Além dessas alterações, a área de Inovação e Tecnologia passa a ser comandada por Humberto de Alencar Pizza da Silva, que assume no lugar de Milton Vieira, do Republicanos. Já Alexandre Leite, do União Brasil, deixa a Secretaria de Relações Institucionais para se dedicar à corrida eleitoral.
Esse conjunto de mudanças que alguns chamam de “ajuste eleitoral”, outros de “reorganização estratégica” evidencia como a política e a administração pública caminham lado a lado, especialmente em anos de eleição. Enquanto uns saem para pedir votos, outros entram com a missão de manter a máquina pública funcionando sem sobressaltos.
Agora, o desafio da nova equipe é claro: garantir continuidade, eficiência e estabilidade administrativa tudo isso enquanto o cenário político esquenta e as articulações para outubro ganham cada vez mais força.





