O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebe na próxima segunda-feira (9), no Palácio do Planalto, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para uma reunião de trabalho que deve culminar na assinatura de pelo menos três acordos de cooperação entre os dois países. O encontro marca mais um movimento da diplomacia brasileira para ampliar a presença econômica e política no continente africano.
Segundo interlocutores do governo federal, as negociações em andamento envolvem áreas consideradas estratégicas para a cooperação bilateral, como turismo, comércio exterior, investimentos produtivos e intercâmbio cultural. A expectativa é que os novos instrumentos de cooperação reforcem o diálogo entre as duas maiores economias do hemisfério sul no eixo do Atlântico e ampliem oportunidades de negócios para empresas brasileiras e sul-africanas.
A reunião ocorrerá no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo brasileiro, e integra a agenda internacional de Luiz Inácio Lula da Silva voltada à retomada de parcerias com países emergentes e ao fortalecimento da cooperação Sul-Sul. O governo brasileiro avalia que a aproximação com nações africanas pode abrir novos mercados para produtos industrializados e do agronegócio, além de estimular projetos conjuntos nas áreas de ciência, tecnologia e cultura.
Entre os temas em discussão está o fortalecimento do fluxo turístico entre os dois países. Autoridades defendem que acordos nessa área podem facilitar a promoção de destinos e ampliar a circulação de visitantes, sobretudo diante do interesse crescente de viajantes africanos pela diversidade cultural e ambiental do Brasil.
Outro eixo central das tratativas envolve comércio e investimentos. O Palácio do Planalto considera que a cooperação com a África do Sul pode impulsionar parcerias industriais, sobretudo em setores como mineração, energia e agricultura, áreas nas quais ambos os países possuem cadeias produtivas relevantes e complementares.
O encontro ocorre também em um contexto de reorganização das relações comerciais do Brasil no cenário internacional. O governo brasileiro tem buscado diversificar seus parceiros econômicos após o aumento das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e outras potências globais, cenário que tem incentivado Brasília a ampliar sua presença em mercados emergentes.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, em 2023, a corrente de comércio entre o Brasil e a África do Sul somou aproximadamente US$ 2,2 bilhões. Desse total, cerca de US$ 1,5 bilhão correspondeu a exportações brasileiras, compostas principalmente por produtos agrícolas, alimentos processados e bens manufaturados.
Apesar do volume ainda considerado modesto em comparação com outros parceiros comerciais do Brasil, auxiliares do governo avaliam que o intercâmbio possui amplo potencial de expansão, especialmente diante da crescente demanda africana por alimentos, tecnologia agrícola e cooperação industrial.
Para especialistas em relações internacionais, a aproximação entre os dois países também tem peso geopolítico. Tanto o Brasil quanto a África do Sul são integrantes do grupo BRICS, bloco de economias emergentes que busca ampliar sua influência no cenário global.
Nesse contexto, a visita de Cyril Ramaphosa a Brasília é vista como um passo importante para reforçar a articulação política e econômica entre os dois países, além de sinalizar uma estratégia conjunta de fortalecimento das relações entre nações do Sul Global.





