O Real Madrid sinaliza que pretende concentrar todas as atenções no campo na próxima quarta-feira (25), quando enfrenta o Benfica pelo jogo de volta dos playoffs da Champions League. Para isso, o clube espanhol trabalha para que o episódio de racismo envolvendo o argentino Prestianni e o atacante brasileiro Vini Jr. esteja devidamente esclarecido antes do confronto decisivo.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (19), o Real Madrid informou que já encaminhou à Uefa todas as provas disponíveis relacionadas ao caso, ocorrido durante a partida de ida, disputada na última terça-feira (17), no Estádio da Luz, em Lisboa. A entidade máxima do futebol europeu abriu investigação para apurar a suposta injúria racial proferida pelo meio-campista do Benfica.
De acordo com relatos registrados na súmula e confirmados por jogadores do time espanhol, Vini Jr. acionou imediatamente o árbitro após ser alvo da ofensa, o que levou à ativação do protocolo antirracismo ainda durante o jogo. Prestianni teria colocado a camisa sobre a boca ao falar, numa tentativa de ocultar a declaração. Mesmo assim, companheiros de equipe do brasileiro afirmam ter ouvido claramente o insulto.
O atacante Kylian Mbappé e o volante Federico Valverde, ambos do Real Madrid, foram categóricos ao sustentar a denúncia. Segundo eles, o termo utilizado pelo jogador argentino foi “macaco”, expressão considerada ofensiva e enquadrada como racismo pelos regulamentos da Uefa.
Um dia antes do posicionamento do clube espanhol, o Benfica já havia se manifestado publicamente, garantindo que irá colaborar integralmente com as autoridades esportivas e defendendo o direito de seu atleta de 20 anos ao contraditório e à ampla defesa. O Real Madrid, por sua vez, adotou tom institucional e reforçou a confiança na apuração conduzida pela Uefa.
“O Real Madrid C.F. anuncia que forneceu hoje à Uefa todas as provas disponíveis relativas aos incidentes ocorridos na terça-feira (17), durante o jogo da Champions League que a nossa equipe disputou em Lisboa contra o SL Benfica”, informou o clube, em nota oficial.
O caso reacende o debate sobre o combate ao racismo no futebol europeu, tema que tem mobilizado clubes, atletas e entidades nos últimos anos. Vini Jr., em especial, tornou-se uma das vozes mais ativas contra a discriminação racial nos gramados, após sucessivos episódios registrados na Espanha e em competições continentais.
Enquanto a investigação segue em andamento, a expectativa é de que a Uefa apresente um posicionamento antes da partida decisiva. Dentro de campo, Real Madrid e Benfica se preparam para um confronto de alta tensão esportiva fora dele, o futebol europeu volta a ser desafiado a dar respostas firmes contra o racismo.





