A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu na noite deste domingo (15/2) à forma como o ex-presidente Jair Bolsonaro foi retratado em uma alegoria da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu desfile no Carnaval do Rio de Janeiro.
Na encenação, Bolsonaro aparece caracterizado como um palhaço, posicionado atrás de grades e usando uma tornozeleira eletrônica com indícios de violação referência direta ao episódio de novembro do ano passado, quando houve a revogação de sua prisão domiciliar após a constatação de irregularidades no monitoramento eletrônico. A imagem chamou atenção nas redes sociais e provocou reações imediatas de aliados do ex-presidente.
Em publicação no Instagram, Michelle Bolsonaro afirmou que a alegoria promove uma inversão dos fatos históricos. “Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”, escreveu, em tom crítico, sugerindo que o desfile teria extrapolado os limites da crítica artística ao apresentar uma narrativa considerada, por ela, distorcida.
A manifestação da ex-primeira-dama repercutiu amplamente entre apoiadores bolsonaristas, que passaram a questionar o uso de recursos públicos e a politização do Carnaval. Parlamentares e influenciadores alinhados ao PL também se pronunciaram, classificando a representação como “ofensiva” e “parcial”, enquanto defenderam que a liberdade artística não deveria ser usada para “recontar a história”.
Do outro lado, defensores da escola de samba e setores ligados à cultura destacaram que o Carnaval historicamente utiliza a sátira política como ferramenta de crítica social. Para esses grupos, a alegoria estaria amparada pela liberdade de expressão e pelo direito à manifestação artística, ainda que provoque desconforto em figuras públicas e seus apoiadores.
Até o fechamento desta matéria, a Acadêmicos de Niterói não havia divulgado nota oficial sobre as críticas. O episódio reacende o debate recorrente sobre os limites entre arte, política e memória histórica no maior espetáculo popular do país, evidenciando como o Carnaval segue sendo palco de disputas simbólicas que extrapolam a avenida e alcançam o centro do debate público nacional.





