Durante as celebrações pelos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), realizadas nesta quinta-feira (5/2), em Salvador, o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, rechaçou qualquer insinuação de que esteja pressionando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a se lançar candidato nas eleições de 2026. Segundo ele, o que existe é um processo natural de diálogo político dentro do partido.
Em conversa com jornalistas, Edinho destacou que a relação com Haddad é pautada pelo respeito e pela troca de ideias, afastando qualquer tentativa de imposição. “O que há é o diálogo com o Fernando para entender qual papel ele poderá cumprir nas eleições deste ano. Não existe pressão. Não há, sequer, necessidade disso”, afirmou, em tom sereno, ao comentar as movimentações internas da sigla.
O dirigente petista frisou que o ministro da Fazenda tem plena consciência da relevância política que ocupa no atual cenário nacional. Para Edinho, Haddad reúne credenciais históricas e técnicas que o colocam entre os principais nomes do campo progressista brasileiro. “Fernando Haddad é um dos maiores quadros do PT e da história do campo democrático do país. Ele pode ser candidato ao que desejar, mas toda candidatura exige um processo de convencimento, de maturação política”, pontuou.
Apesar da negativa pública de pressão, o clima nos bastidores do partido indica que o nome de Haddad ganha cada vez mais força para 2026. Conforme já revelou o portal Metrópoles, lideranças petistas pretendem aproveitar o encontro em Salvador para intensificar os apelos para que o ministro aceite disputar o próximo pleito. A expectativa é de que a presença de Haddad no evento fortaleça esse movimento interno.
A agenda do ministro prevê participação, na manhã desta sexta-feira (6/2), em uma reunião com o diretório nacional do PT, quando será debatida a conjuntura política do país, os desafios do governo e as estratégias eleitorais para os próximos anos. O encontro é visto como estratégico para alinhar discursos e avaliar cenários.
Internamente, Haddad é apontado como a principal aposta do PT para a disputa em São Paulo, considerado um dos maiores colégios eleitorais do Brasil. No entanto, o ministro tem demonstrado resistência às articulações, inclusive às sinalizações feitas pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por aliados próximos.
Segundo interlocutores, Haddad avalia a possibilidade de se afastar da vida pública ao fim do atual ciclo, com o objetivo de se dedicar a projetos pessoais e também à coordenação política da campanha de Lula. Apesar disso, ele reconhece que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre seu futuro eleitoral.
Enquanto o debate segue aberto, a direção do PT busca equilibrar o estímulo interno com o discurso público de respeito à autonomia de seus quadros, apostando no diálogo como principal ferramenta para construir consensos rumo a 2026.





