O ex-presidente do Congresso Nacional e senador por Minas Gerais, Rodrigo Pacheco, deve oficializar sua saída do PSD logo após o período do Carnaval para se filiar ao União Brasil, legenda comandada no Senado por Davi Alcolumbre (AP). A movimentação, que vinha sendo costurada nos bastidores, sinaliza uma reconfiguração relevante no tabuleiro político mineiro e nacional, especialmente às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.
O portal Notícias Bahia já havia antecipado que Pacheco vinha sendo assediado por diferentes partidos, em um contexto de desgaste interno no PSD. A legenda, presidida por Gilberto Kassab, optou por apoiar a pré-candidatura do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, alinhado ao campo bolsonarista, para a disputa pelo Palácio Tiradentes. A decisão acabou isolando Pacheco dentro da sigla e acelerou seu afastamento.
A possível filiação ao União Brasil ocorre em um momento estratégico para o governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem atuado diretamente para montar um palanque competitivo em Minas Gerais, estado considerado decisivo no xadrez eleitoral por ser o segundo maior colégio eleitoral do país. Historicamente, o desempenho em território mineiro costuma funcionar como termômetro para a corrida presidencial.
De acordo com apuração a mudança partidária abre caminho para que Rodrigo Pacheco seja lançado como candidato ao governo de Minas Gerais. O União Brasil, até o momento, não conta com um nome consolidado no estado, o que deixaria o senador com espaço político livre para liderar uma eventual candidatura ao Executivo estadual.
A importância de Pacheco para os planos do Palácio do Planalto foi reforçada pelo próprio presidente Lula. Em entrevista concedida ao UOL nesta quinta-feira (5/2), o chefe do Executivo afirmou que ainda aposta no senador como peça-chave no projeto governista em Minas. “Em Minas Gerais, eu posso dizer para você agora, se eu conheço a alma mineira, nós vamos ganhar as eleições de Minas Gerais outra vez. E eu quero dizer aqui em alto e bom som: eu ainda não desisti de você, Pacheco. Você sabe que nós vamos ter uma conversa e acho que você pode ser o futuro governador de Minas”, declarou Lula.
Apesar da sinalização pública, um encontro entre Lula e Pacheco ainda não tem data definida, mas deve ocorrer após o Carnaval. Pessoas próximas ao senador afirmam que ele demonstra resistência à ideia de disputar um cargo majoritário. O cansaço após anos de intensa exposição política e o desejo de se afastar da vida pública pesam em sua avaliação pessoal.
Mesmo assim, aliados do governo acreditam que a pressão política e o apelo estratégico de Minas Gerais podem ser determinantes para uma mudança de posição. Caso aceite o desafio, Pacheco entraria na corrida como um nome de perfil moderado, com trânsito entre diferentes campos políticos e histórico de diálogo institucional características vistas como trunfos em um cenário de polarização.
Nos bastidores de Brasília, a leitura é de que a eventual candidatura do senador mineiro pode redefinir alianças, reposicionar partidos e influenciar diretamente a construção das chapas presidenciais. Enquanto isso, a saída do PSD e a ida para o União Brasil consolidam mais um capítulo de rearranjos silenciosos, porém decisivos, que antecedem a largada oficial da próxima disputa eleitoral.





