A Justiça dos Estados Unidos condenou à prisão perpétua, nesta quarta-feira (4/2), o homem acusado de tentar tirar a vida do então candidato presidencial Donald Trump durante a campanha eleitoral de 2024. A sentença foi proferida pela juíza federal Aileen Cannon, do Tribunal Distrital em Fort Pierce, no estado da Flórida, encerrando um dos casos criminais mais graves e simbólicos do último ciclo eleitoral norte-americano.
Ryan Routh, de 59 anos, foi considerado culpado por um júri federal em setembro do ano passado. Entre as acusações que pesaram contra ele estão tentativa de assassinato de um candidato à Presidência da República, agressão contra um agente federal, porte ilegal de arma de fogo e munições, além da posse de armamento com número de série suprimido. Durante a leitura da sentença, o réu manteve-se em absoluto silêncio, sem demonstrar reação diante da decisão que o condena a passar o resto da vida atrás das grades.
Segundo o Ministério Público Federal, Routh arquitetou minuciosamente uma emboscada contra Trump em setembro de 2024, no Trump International Golf Club, localizado em West Palm Beach. À época, Trump ainda disputava a Presidência dos Estados Unidos e realizava atividades de campanha no local. As investigações apontaram que o acusado monitorou previamente a rotina do candidato, observando horários, deslocamentos e pontos estratégicos do campo de golfe.
De acordo com os autos do processo, Routh, ex-empreiteiro de telhados e natural de Greensboro, na Carolina do Norte, posicionou-se do lado externo de uma cerca próxima ao sexto buraco do campo, portando um rifle semiautomático. Antes que qualquer disparo fosse efetuado, um agente do Serviço Secreto identificou a ameaça iminente e reagiu imediatamente, efetuando um tiro em direção ao suspeito.
Após a intervenção do agente, Routh fugiu do local em um veículo, desencadeando uma rápida mobilização das forças de segurança. Ele foi capturado pouco tempo depois, sem oferecer resistência, e encaminhado à custódia federal. Nenhuma pessoa ficou ferida durante o incidente.
As autoridades classificaram o episódio como a segunda tentativa de assassinato contra Donald Trump registrada ao longo de 2024, ano marcado por forte tensão política e reforço nos esquemas de segurança de candidatos e autoridades. O caso acendeu alertas em todo o país sobre a escalada da violência política e levou a uma revisão dos protocolos de proteção do Serviço Secreto durante eventos públicos e atividades de campanha.
Ao justificar a pena máxima, a juíza Aileen Cannon destacou a gravidade dos crimes, o planejamento deliberado e o risco extremo à vida de um candidato presidencial, além da ameaça direta à estabilidade democrática. Para o tribunal, a prisão perpétua foi considerada a única resposta proporcional diante da natureza dos atos cometidos.
Com a sentença, o processo entra para a lista dos mais emblemáticos da história recente dos Estados Unidos, reforçando o entendimento de que ataques contra o processo democrático e seus representantes serão punidos com o máximo rigor da lei.





