A Bahia voltou a ocupar posição estratégica no tabuleiro político nacional e entrou de vez no centro do debate sobre a sucessão presidencial de 2026. Em entrevista concedida à Jovem Pan, nesta quarta-feira (28), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), reconheceu que não contará com o apoio do PSD baiano em uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto, admitindo, de forma direta, as dificuldades de construção de uma aliança nacional coesa.
Recém-filiado ao PSD após deixar o União Brasil, Caiado fez uma leitura realista do atual cenário político e afirmou que seu principal objetivo é barrar um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a disputa presidencial exigirá mais do que uma mudança partidária: demandará diálogo, convergência regional e capacidade de superar divergências históricas dentro da própria legenda.
Ao abordar o cenário baiano, o governador goiano foi enfático ao reconhecer o peso político do estado nas eleições nacionais. A Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, tem papel decisivo na formação de palanques presidenciais e na consolidação de projetos de poder. A ausência do apoio do PSD local, portanto, representa um obstáculo relevante para qualquer pretensão presidencial.
A declaração de Caiado evidencia as complexidades das articulações partidárias no Brasil, especialmente em um momento de reconfiguração das forças políticas. Embora o PSD atue nacionalmente como um partido de centro com forte presença institucional, nos estados a legenda apresenta dinâmicas próprias, alianças consolidadas e interesses regionais que nem sempre convergem com os projetos nacionais.
Nos bastidores, a avaliação é de que o PSD baiano mantém alinhamento político distinto, com prioridade para agendas locais e alianças já estabelecidas, o que dificulta a adesão automática a um projeto presidencial liderado por Caiado. Esse cenário reforça a ideia de que, em 2026, o peso dos estados e especialmente da Bahia será determinante para o sucesso ou fracasso das candidaturas.
Ao admitir publicamente a falta de apoio no estado, Caiado também sinaliza uma postura de franqueza política e reconhece que o caminho até a disputa presidencial será marcado por desafios significativos. A fala, no entanto, não fecha portas. Pelo contrário, indica que o governador aposta no diálogo e na construção gradual de alianças, mesmo diante de resistências internas.
Com isso, a Bahia se consolida não apenas como um território eleitoral estratégico, mas como um termômetro político capaz de influenciar decisões nacionais e redesenhar projetos presidenciais. O cenário segue em aberto, mas uma coisa é certa: qualquer candidatura viável em 2026 precisará, inevitavelmente, passar pelo crivo político baiano.





