Vitória da Conquista alcançou resultados expressivos no enfrentamento às arboviroses em 2025, com destaque para a redução de 92,3% nos casos de dengue em comparação com 2024. O avanço é atribuído a um conjunto de ações coordenadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio da Coordenação de Controle de Endemias, que apostou na integração entre tecnologia, vigilância epidemiológica e educação em saúde.
De acordo com dados oficiais, o município investiu fortemente no uso de ovitrampas armadilhas específicas para monitorar e eliminar ovos do mosquito Aedes aegypti. Apenas em 2025, essa estratégia possibilitou a remoção de 781.397 ovos do vetor, impedindo o nascimento de milhares de mosquitos e reduzindo significativamente o risco de transmissão da dengue, chikungunya e zika vírus.
Além da tecnologia, as ações incluíram visitas domiciliares regulares, orientação direta à população e campanhas educativas voltadas para a eliminação de focos do mosquito, especialmente em recipientes que acumulam água parada. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o trabalho contínuo e preventivo foi decisivo para conter a proliferação do vetor, sobretudo nos períodos de maior risco, como o verão.
Números confirmam impacto das ações
Em 2025, Vitória da Conquista registrou 3.568 notificações de dengue, das quais 425 foram confirmadas, 2.747 classificadas como prováveis e 821 descartadas após investigação. No caso da chikungunya, foram notificadas 173 ocorrências, com 10 confirmações e 163 casos prováveis, enquanto o Zika vírus teve apenas nove notificações, sendo três confirmadas.
O cenário representa um contraste significativo em relação a 2024, quando o município contabilizou 38.550 casos prováveis de arboviroses, evidenciando a dimensão da redução alcançada em apenas um ano.
Novas tecnologias ampliam o controle vetorial
Além das ovitrampas, a Secretaria Municipal de Saúde incorporou outras tecnologias inovadoras, como as Pneutraps e o sistema In2Care, em parceria com o Instituto de Saúde e Ação Social (Isas). A iniciativa teve início em junho de 2025, em cooperação com o Ministério da Saúde, e resultou na instalação de 600 Pneutraps e 160 dispositivos In2Care em 15 bairros estratégicos.
Essas áreas foram definidas a partir do LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti), que identifica regiões com maior risco de infestação. As armadilhas atuam principalmente na captura de fêmeas do mosquito em fase de postura, interrompendo o ciclo reprodutivo e evitando o repovoamento do vetor.
Ações permanentes e planejamento para 2026
As frentes de combate às arboviroses em Vitória da Conquista ocorrem durante todo o ano, com reforço nos meses mais quentes e chuvosos. Para o primeiro semestre de 2026, a Coordenação de Controle de Endemias já definiu novas estratégias para manter e ampliar os resultados alcançados.
Entre as ações previstas estão a intensificação da educação em saúde em escolas e instituições públicas, a manutenção das visitas “casa a casa”, com prioridade para três bairros considerados críticos, e a ampliação da rede de armadilhas voltadas à captura de fêmeas do mosquito em fase de oviposição.
Com esse conjunto de medidas, o município consolida um modelo integrado de vigilância e eliminação vetorial, tornando-se referência no combate à dengue e outras arboviroses. A experiência demonstra que a combinação entre tecnologia, planejamento e participação da população é fundamental para reduzir de forma sustentável os índices dessas doenças.





