Os Estados Unidos oficializaram, a saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), encerrando uma parceria institucional que se estendia desde a fundação do organismo internacional, em 1948. A decisão foi comunicada por meio de nota oficial publicada no site do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês) e marca uma ruptura sem precedentes na governança global da saúde.
Antes mesmo da formalização do desligamento, o governo do presidente Donald Trump já havia anunciado a suspensão total do financiamento e do apoio técnico e institucional à OMS. Segundo a administração norte-americana, a medida integra uma reavaliação mais ampla do papel dos Estados Unidos em organismos multilaterais e da forma como os recursos públicos são empregados no cenário internacional.
No comunicado divulgado pelo HHS, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., afirmaram que todas as iniciativas vinculadas à OMS foram imediatamente encerradas. “O financiamento e o corpo de pessoal dos Estados Unidos destinados a iniciativas da Organização Mundial da Saúde foram totalmente interrompidos”, declararam os dois integrantes do alto escalão do governo.
Ainda de acordo com o texto, Washington argumenta que a OMS deixou de atender aos princípios de transparência, eficiência administrativa e independência política. O governo norte-americano também sustenta que a entidade falhou em responder adequadamente a crises sanitárias globais, o que, na avaliação das autoridades, comprometeu a credibilidade do organismo.
Pouco após a publicação do comunicado oficial, a Organização Mundial da Saúde retirou a bandeira dos Estados Unidos de sua sede, em Genebra, na Suíça. O gesto simbólico foi rapidamente repercutido por autoridades americanas, que mencionaram o ato como reflexo imediato da ruptura institucional e afirmaram esperar que a bandeira volte a ser hasteada caso haja uma reaproximação futura.
Em pronunciamento separado, representantes do governo dos EUA ressaltaram que a saída da OMS não significa o abandono de ações de cooperação internacional em saúde. Segundo eles, o país pretende redirecionar investimentos para acordos bilaterais e iniciativas próprias, com foco em respostas mais rápidas e alinhadas às prioridades nacionais.
Por sua vez, a Organização Mundial da Saúde ainda não detalhou os impactos financeiros e operacionais da saída norte-americana, embora reconheça que os Estados Unidos figuravam entre os maiores contribuintes da entidade. Especialistas avaliam que a decisão pode afetar programas de combate a doenças infecciosas, campanhas de vacinação e ações de vigilância epidemiológica em países em desenvolvimento.
A decisão norte-americana ocorre em meio a um contexto de intensificação de debates sobre o multilateralismo e o papel das organizações internacionais. Analistas políticos apontam que a saída dos Estados Unidos da OMS pode provocar efeitos diplomáticos duradouros e reacender discussões sobre a necessidade de reformas estruturais no sistema global de saúde.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos da medida, considerada histórica, e seus possíveis reflexos na coordenação de respostas a emergências sanitárias em escala mundial.





