O ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), passou a ser sondado por outras legendas do campo político após o Partido Social Democrático sinalizar apoio prioritário ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, pré-candidato ao Palácio Tiradentes nas eleições de 2026. Siglas como União Brasil e MDB já teriam iniciado conversas preliminares com o senador, diante do novo arranjo eleitoral desenhado no Estado.
Nos bastidores, a leitura entre aliados próximos é de que a permanência de Pacheco no PSD perdeu sentido político. Sem o respaldo da própria legenda para disputar o governo mineiro, o senador avaliaria que sua viabilidade eleitoral ficaria comprometida, especialmente em um cenário de forte polarização e reorganização das forças partidárias em Minas Gerais.
A decisão do PSD de priorizar Mateus Simões reflete uma escolha estratégica do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que aposta em um perfil mais alinhado à direita para governar o segundo maior colégio eleitoral do país. Embora o PSD mantenha, nacionalmente, um discurso de centro, a opção por Simões indica uma aproximação pragmática com o bolsonarismo no Estado, movimento que gera desconforto no entorno de Pacheco.
Aliados do senador ressaltam que ele não pretende se vincular nem à extrema-direita, nem à esquerda ideológica. A avaliação interna é de que Pacheco construiu sua trajetória política com base no diálogo institucional, na moderação e na defesa do equilíbrio entre os Poderes, marcas que se chocariam com discursos mais radicalizados.
Diante desse cenário, o caminho mais provável para o senador, caso deixe o PSD, seria uma legenda associada ao chamado Centrão, levando em consideração fatores como tempo de televisão, estrutura partidária e acesso ao fundo eleitoral elementos considerados decisivos para uma eventual candidatura ao Executivo estadual.
Interlocutores afirmam que, se a troca de partido se concretizar, a possibilidade de Rodrigo Pacheco disputar o governo de Minas Gerais aumentaria “em até 50%”. Ainda assim, o senador adota cautela. Pessoas próximas relatam que ele aguarda o fim do recesso parlamentar para tomar uma decisão definitiva, não apenas sobre a filiação partidária, mas também sobre sua permanência na vida pública.
Há, inclusive, a possibilidade de Pacheco optar por um retorno à advocacia, carreira que exerceu antes de ingressar na política e que permanece como uma alternativa pessoal e profissional fora do cenário eleitoral.
No “mundo ideal”, segundo aliados, Rodrigo Pacheco disputaria o governo mineiro com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma composição que preservasse sua imagem de político de centro e agregador. Uma eventual bênção presidencial poderia ampliar sua competitividade e facilitar alianças mais amplas, sobretudo entre eleitores que rejeitam os extremos ideológicos.
Enquanto as articulações seguem nos bastidores, o futuro político de Rodrigo Pacheco permanece em aberto, refletindo o momento de transição vivido pelo sistema partidário brasileiro e a complexidade do tabuleiro eleitoral mineiro.





