O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) abriu oficialmente as portas para o senador Angelo Coronel, atualmente filiado ao PSD, que avalia a possibilidade de mudar de legenda para disputar a reeleição ao Senado nas eleições de outubro deste ano. A movimentação ocorre em meio a um cenário de indefinições políticas e intensas articulações nos bastidores da política baiana.
Aliados do ex-prefeito de Salvador e líder no estado, ACM Neto, interpretam o movimento do senador como uma tentativa de valorizar seu capital político antes de tomar uma decisão definitiva. Nos círculos mais próximos da oposição, há a avaliação de que o senador Angelo Coronel estaria promovendo uma espécie de “leilão” de seu passe, sondando diferentes grupos para medir seu peso eleitoral e as vantagens de uma eventual mudança de campo.
Apesar da sinalização positiva do PSDB, o entendimento predominante entre os aliados de ACM Neto é de cautela. A orientação é aguardar um rompimento formal do senador Angelo Coronel com a base governista antes de avançar em qualquer negociação política. Para esse grupo, apenas uma posição clara do senador poderá destravar conversas mais objetivas sobre alianças para o próximo pleito.
Outro ponto que chamou atenção no meio político foi a ausência do senador Angelo Coronel no tradicional cortejo da Lavagem do Bonfim deste ano. Pré-candidato ao Senado, o parlamentar optou por não comparecer ao evento, gesto que não passou despercebido tanto por integrantes da base governista quanto da oposição. A leitura predominante é de que a ausência foi estratégica, com o objetivo de preservar sua imagem pública enquanto define os rumos de sua trajetória política.
A possível filiação do senador Angelo Coronel ao PSDB foi comentada publicamente pelo deputado federal Adolfo Viana, presidente da legenda na Bahia, que deixou claro o interesse do partido em recebê-lo. Em declaração direta, Viana ressaltou a relação pessoal com o senador e fez um chamado para que a decisão seja tomada com rapidez.
“É um grande amigo meu, sou amigo dele, da família inteira, de Diego, de Angelo Filho, de Eleusa. Se ele quiser vir para o PSDB, o PSDB vai receber de braços abertos. Mas ele precisa acelerar, porque quem vai vencer as eleições de 2026 é o nosso grupo político. Então, se ele quiser vir, ele acelera o passo dele que ainda dá tempo”, afirmou o dirigente tucano.
O episódio reforça o clima de reorganização das forças políticas no estado, com partidos e lideranças se movimentando de forma antecipada em busca de protagonismo nas eleições. Enquanto Angelo Coronel mantém o silêncio sobre uma decisão definitiva, o xadrez político segue em movimento, com alianças sendo testadas e estratégias cuidadosamente calculadas.





