A decisão do governo do presidente Donald Trump de suspender a emissão de vistos para 74 países, incluindo o Brasil, marca mais um capítulo do endurecimento das regras de entrada nos Estados Unidos. A informação, confirmada pelo portal Metrópoles, reforça uma linha de atuação que vem sendo adotada pela atual administração desde o fim de 2025, com foco em critérios considerados mais rígidos para a concessão de vistos a estrangeiros.
Não se trata, porém, de uma iniciativa isolada. Em novembro, a emissora norte-americana Fox News já havia revelado que o governo Trump passou a restringir o acesso de determinados perfis de solicitantes, entre eles idosos, pessoas com sobrepeso e candidatos com histórico de problemas de saúde. As medidas integram um conjunto de ações voltadas a limitar a entrada de imigrantes considerados potencialmente onerosos ao sistema público dos Estados Unidos.
No centro dessa estratégia está o reforço da chamada regra do public charge. O mecanismo permite que autoridades migratórias neguem vistos a estrangeiros avaliados como propensos a depender de benefícios públicos no país. A política, que já existia em administrações anteriores, passou a ser aplicada de forma mais rigorosa, ampliando o alcance dos critérios utilizados na análise dos pedidos.
De acordo com informações divulgadas pela Fox News, a avaliação leva em conta aspectos relacionados à saúde do solicitante, o que coloca pessoas mais velhas e indivíduos com obesidade sob escrutínio especial. Além disso, fatores como nível de proficiência em inglês, condição financeira, histórico profissional e a possível necessidade de cuidados médicos ou assistência de longo prazo também entram no cálculo feito pelas autoridades americanas.
A lógica que orienta a política migratória defendida pelo governo Trump parte do princípio de que os Estados Unidos não devem admitir imigrantes que possam representar um custo adicional para os cofres públicos, sobretudo em áreas sensíveis como saúde e assistência social. Na prática, isso amplia o poder discricionário dos agentes responsáveis pela análise dos vistos, permitindo recusas com base em projeções sobre a capacidade do solicitante de se manter de forma independente no país.
Segundo a emissora norte-americana, a aplicação mais severa da regra do public charge começou ainda em novembro de 2025, quando o Departamento de Segurança Interna passou a adotar critérios mais estritos e a conceder maior autonomia aos agentes migratórios. Desde então, o impacto dessas mudanças vem sendo sentido por candidatos de diferentes nacionalidades, agora ampliado pela suspensão temporária da emissão de vistos para dezenas de países.
A inclusão do Brasil na lista tende a gerar repercussão diplomática e preocupação entre estudantes, turistas e profissionais que planejavam viajar ou se estabelecer nos Estados Unidos. Especialistas em relações internacionais avaliam que a medida reforça o discurso protecionista da atual administração e pode influenciar o fluxo migratório e as relações bilaterais nos próximos meses.





