O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu vetar R$ 11 bilhões que haviam sido reservados pelo Congresso Nacional para o pagamento de emendas parlamentares no Orçamento da União de 2026. O prazo final para a sanção da peça orçamentária se encerra nesta quarta-feira (14), e a decisão do Palácio do Planalto já provoca reações no meio político, especialmente entre os líderes do Legislativo.
Com o veto presidencial, o volume total de recursos federais destinados às emendas indicadas por deputados e senadores ficará em torno de R$ 50 bilhões. O montante engloba tanto as emendas individuais e de bancada quanto as chamadas “emendas paralelas” recursos que aparecem formalmente no orçamento de ministérios, mas que, na prática, são direcionados por parlamentares para atender demandas específicas de suas bases eleitorais.
Justificativa do governo
De acordo com interlocutores do Executivo, o veto foi fundamentado em critérios técnicos e fiscais. A equipe econômica argumenta que a manutenção integral dos valores aprovados pelo Congresso comprometeria o equilíbrio das contas públicas e a execução de políticas consideradas prioritárias pelo governo federal.
Em nota reservada a líderes aliados, o governo sustenta que o corte busca assegurar responsabilidade fiscal e previsibilidade orçamentária. “O presidente tem compromisso com o controle dos gastos públicos e com a execução eficiente do orçamento, sem abrir mão de investimentos estruturantes”, afirmou um auxiliar direto de Lula, sob condição de anonimato.
Reação no Congresso
No Congresso Nacional, a decisão foi recebida com críticas, inclusive por parlamentares da base governista. Deputados e senadores avaliam que o veto reduz a capacidade do Legislativo de atender demandas regionais, especialmente em áreas como saúde, infraestrutura e assistência social.
Um líder partidário da Câmara afirmou que o veto “fragiliza o pacto político construído em torno do Orçamento” e não descartou a possibilidade de o Congresso tentar derrubar a decisão presidencial em sessão conjunta. “As emendas são instrumentos legítimos para levar recursos a municípios que muitas vezes não recebem atenção direta do Executivo”, declarou.
Emendas paralelas sob escrutínio
As chamadas emendas paralelas também voltaram ao centro do debate. Embora legais, elas são alvo de críticas por especialistas em contas públicas, que apontam baixa transparência na destinação dos recursos. Para o governo, parte do veto busca justamente limitar mecanismos que dificultam o rastreamento do gasto público.
Segundo técnicos do Ministério do Planejamento, a revisão dessas emendas é necessária para fortalecer o controle e a fiscalização do orçamento, além de alinhar os gastos às metas estabelecidas no novo arcabouço fiscal.
Análise política
Analistas avaliam que o veto de Lula reforça a tentativa do Executivo de retomar maior controle sobre o Orçamento, após anos de fortalecimento do poder do Congresso na alocação de recursos. No entanto, a medida pode elevar a tensão entre os Poderes e dificultar a tramitação de pautas de interesse do governo ao longo de 2026.
“O presidente sinaliza responsabilidade fiscal, mas paga um preço político. A relação com o Congresso dependerá agora da capacidade de negociação para recompor parte dessas perdas ou evitar a derrubada do veto”, avalia um cientista político ouvido pela reportagem.
Com o encerramento do prazo para sanção do Orçamento, o cenário permanece em aberto. A decisão final sobre a manutenção ou não do veto dependerá do humor do Congresso e do grau de articulação política do Planalto nos próximos dias.





