O ano de 2026 desponta como decisivo para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na etapa final do terceiro mandato, o Palácio do Planalto avalia que o desempenho da economia será determinante não apenas para a sustentação política da gestão, mas também para a consolidação do projeto eleitoral do campo governista. Internamente, a avaliação é de que crescimento, emprego e controle da inflação formarão o principal ativo político de Lula na disputa que se aproxima.
Dentro e fora do governo, cresce a expectativa de que 2026 será um período em que resultados econômicos e articulação política caminharão de forma indissociável. O entendimento predominante é de que, em um ambiente de campanhas eleitorais e maior pressão sobre o Orçamento, a capacidade de entregar indicadores positivos poderá neutralizar críticas e reduzir resistências no Congresso Nacional.
Desde 2023, Lula e sua equipe econômica adotaram uma estratégia centrada na reconstrução institucional do Estado, após anos de instabilidade, na retomada dos investimentos públicos e no estímulo ao consumo interno. Paralelamente, o governo buscou sinalizar compromisso com a responsabilidade fiscal, especialmente com a aprovação do novo arcabouço fiscal, apresentado como substituto do teto de gastos, e com a promessa de reequilibrar as contas públicas ao longo do mandato.
Agora, o desafio é transformar diretrizes em resultados concretos. O ano de 2026 será marcado por decisões orçamentárias sensíveis, pressões por aumento de gastos e um Congresso mais fragmentado, onde a negociação política tende a ser mais complexa. Para aliados do presidente, o cenário exige “coordenação fina” entre economia e política, sob o risco de desgaste institucional e perda de capital político.
No Palácio do Planalto, a leitura é de que, caso indicadores como inflação, renda média, nível de emprego e ritmo de crescimento se mantenham favoráveis, o governo terá um discurso sólido para apresentar ao eleitorado. Lula já sinalizou, em diferentes ocasiões, que pretende colocar a economia “no centro do debate”, destacando avanços como a inflação dentro da meta, a reestruturação de programas sociais, a ampliação do crédito e a recuperação do mercado de trabalho formal.
Aliados do presidente avaliam que a narrativa de reconstrução econômica poderá ser um trunfo eleitoral, especialmente se associada à melhoria das condições de vida da população de baixa renda. Para esse grupo, a retomada de políticas sociais e o fortalecimento do papel do Estado como indutor do desenvolvimento diferenciam o atual governo de gestões anteriores.
Por outro lado, economistas independentes e representantes do mercado financeiro mantêm postura cautelosa. Um dos principais focos de tensão é a trajetória das contas públicas. O novo arcabouço fiscal estabeleceu metas consideradas ambiciosas, sobretudo para 2026, quando o Ministério da Fazenda se comprometeu a entregar um superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de R$ 34 bilhões. Para analistas, cumprir esse objetivo exigirá disciplina fiscal, aumento de receitas e controle rigoroso das despesas.
Há também quem avalie que o ambiente eleitoral pode dificultar ajustes mais duros. Parlamentares tendem a pressionar por mais investimentos e emendas, enquanto setores do governo defendem maior flexibilidade para garantir crescimento e políticas sociais. Esse embate, segundo especialistas, será um dos principais testes da credibilidade do arcabouço fiscal.
Mesmo diante das divergências, o consenso é de que 2026 será um ano de definições. Se conseguir equilibrar crescimento econômico, responsabilidade fiscal e articulação política, o governo Lula poderá chegar ao fim do mandato com fôlego político. Caso contrário, a economia hoje vista como principal trunfo pode se transformar em um campo de desgaste e disputa narrativa no cenário eleitoral.





