Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a disputa eleitoral deste ano tende a ser mais difícil do que o pleito de 2022, quando o petista venceu o então presidente Jair Bolsonaro (PL) por uma margem apertada. Na ocasião, Lula obteve 1,8 ponto porcentual a mais de votos válidos, diferença que representou cerca de 2,1 milhões de eleitores, o menor intervalo registrado em uma eleição presidencial desde a redemocratização.
A percepção dentro do núcleo político do governo é de que o cenário atual apresenta desafios mais complexos, tanto no plano doméstico quanto no contexto internacional. Interlocutores próximos ao presidente apontam que o Brasil vive, agora, um ambiente de maior polarização política global, o que pode influenciar diretamente o debate eleitoral e o comportamento do eleitorado.
Na avaliação de aliados, esta será a primeira eleição presidencial brasileira em que o Partido dos Trabalhadores enfrentará de forma direta um contexto internacional adverso, marcado pelo fortalecimento de lideranças conservadoras e de extrema direita. Entre os principais fatores citados está a volta de Donald Trump ao centro do poder político nos Estados Unidos, o que, segundo petistas, tende a influenciar narrativas, alianças e estratégias eleitorais em diversos países da América Latina.
“Há uma leitura de que o embate não será apenas interno, mas também simbólico, entre projetos de mundo distintos”, avalia um integrante do governo sob reserva. Para esse grupo, a eleição brasileira passa a integrar um tabuleiro geopolítico mais amplo, no qual forças conservadoras internacionais atuam de forma coordenada.
Como exemplo desse novo cenário, aliados de Lula mencionam as eleições legislativas realizadas na Argentina em outubro. Diante do risco de um desempenho negativo do partido do presidente Javier Milei, o governo norte-americano, sob influência direta de Trump, teria articulado apoio financeiro expressivo. Segundo essa avaliação, cerca de US$ 20 bilhões teriam sido mobilizados, o que acabou contribuindo para a vitória da legenda governista no Congresso argentino.
No entorno do Palácio do Planalto, o episódio é visto como um alerta. A leitura é de que as disputas eleitorais na América Latina têm sido cada vez mais impactadas por interesses externos, especialmente em países considerados estratégicos do ponto de vista econômico e político.
Apesar da preocupação, integrantes do PT afirmam que o governo trabalha para fortalecer sua base social e ampliar a comunicação com diferentes segmentos da população. A estratégia inclui destacar resultados econômicos, políticas sociais e a retomada do protagonismo internacional do Brasil.
Ainda assim, aliados reconhecem que o caminho até as urnas será marcado por um ambiente mais tenso, competitivo e imprevisível do que há quatro anos. Para eles, a eleição de 2026 não será apenas uma escolha presidencial, mas um confronto direto entre modelos políticos com repercussão além das fronteiras nacionais.





