O governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas (Republicanos), têm consolidado espaço como principal voz da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), movimento que, na prática, acabou por ofuscar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no embate político em torno da crise na Venezuela. Mesmo após Jair Bolsonaro (PL) ter sinalizado publicamente o filho mais velho como seu nome preferencial para a disputa presidencial, é Tarcísio quem vem sendo tratado por aliados e adversários como o principal antagonista do Palácio do Planalto.
A assimetria de protagonismo já havia sido explicitada no início do mês, quando o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que “não dá para levar Flávio a sério” e apontou Tarcísio como alguém que articula para assumir a liderança do campo da ultradireita no país. Desde então, o governador paulista passou a concentrar as atenções do governo federal e de seus principais interlocutores políticos.
O episódio envolvendo o ataque dos Estados Unidos à Venezuela reforçou esse cenário. Tanto Tarcísio quanto Flávio Bolsonaro usaram as redes sociais para criticar Lula pela relação histórica com o presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado e levado aos Estados Unidos pelo governo Donald Trump. No entanto, apenas as declarações do governador de São Paulo geraram reação direta de integrantes do governo federal, evidenciando quem, de fato, ocupa o centro do confronto político.
Em sua manifestação, Tarcísio atribuiu a permanência do regime venezuelano à “omissão e até ao apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”, em referência a Lula. O governador também afirmou que a Venezuela estaria “vencendo a esquerda” e projetou que, “no final do ano”, o Brasil seguiria o mesmo caminho. Apesar do tom eleitoral, Tarcísio evitou citar quem seria o candidato da direita na próxima disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, adotou uma postura mais direta. O senador compartilhou uma montagem que mescla imagens de Lula e Maduro, acompanhada das frases “Lula é Maduro” e “Maduro é Lula”, reforçando a associação entre o presidente brasileiro e o líder venezuelano. A publicação, contudo, não motivou resposta pública de representantes do governo.
A reação veio exclusivamente à fala de Tarcísio. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), que frequentemente atua na linha de frente da defesa do governo, ignorou a manifestação do senador e direcionou críticas contundentes ao governador paulista.
“Tarcísio Freitas, que vestiu boné do Trump, comemorou o tarifaço que ele impôs contra o Brasil, apoiou a traição de Eduardo Bolsonaro à pátria, defendeu a anistia aos golpistas condenados, agora tem o desplante de responsabilizar Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É muito cinismo para um bolsonarista só”, escreveu a ministra em suas redes sociais.
Antes disso, Gleisi já havia rebatido declarações de outro nome apontado como possível presidenciável da oposição, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). O movimento indica que o governo federal tem escolhido seus alvos com cuidado, concentrando esforços em confrontar aqueles que considera mais competitivos no tabuleiro eleitoral, entre eles, Tarcísio de Freitas, que segue ampliando sua projeção nacional enquanto outros postulantes permanecem à margem do debate central.





